| Samantha Ciuffa |
| A obra pronta e acabada: críticas a excessos, mas sem perder a esperança |
O menino paraibano Gilson Souto Maior Junior sempre conviveu com a leitura em casa. Um resultado prático disso, agora, é o livro “Carta à Cidade” – reunião de textos de sua autoria já publicados no Jornal da Cidade.
“Meus pais são professores universitários que sempre incentivaram a mim e meus irmãos a ler. Meu pai é jornalista e cresci vendo-o se comunicar no rádio, na televisão, lendo jornais, dando aulas. Minha mãe me ensinou a importância de ler a Bíblia”, conta ele.
Pastor da Igreja Batista Estoril em Bauru, tem em casa três motivos para continuar a acreditar no uso da palavra, da escrita, da leitura como formador de seres humanos mais íntegros e capazes de discernir o certo do errado: os filhos, Nathan (10 anos), Kaleb (8 anos) e Eli, 3 anos.
Ele e a esposa Shirlei transmitem aos meninos esse prazer da leitura e dos livros.
“Mesmo em tempos de informatização – eu mesmo penso eventualmente num e-book – ainda acredito na produção do livro, no prazer de folhear as páginas, na leitura, na educação, na formação cristã como a que vai fazer a diferença na vida de todos”.
Depois, ele a esposa acreditam que, se os pais são leitores assíduos, os filhos também serão. “Para o bem ou para o mal, tendem a copiar atitude dos pais”.
Reflexão e Fé
Foi com essa veia literária e teológica que, desde que chegou a Bauru, procurou expressar suas opiniões bíblicas no Jornal da Cidade.
No início eram pequenas participações e na Tribuna do Leitor, um dos espaços mais democráticos. Até que, em outubro de 2013, começou a escrever semanalmente a coluna “Reflexão e Fé”.
É isso a obra chamada “Cartas à Cidade”: coletânea do primeiro ano de colunas.
E os temas são os mais variados. Ele não tem medo de colocar o dedo na ferida de questões como a corrupção, o terror da violência, o banalismo do sexo e do consumismo, as drogas, a Aids, enfim, mazelas que afligem a todos.
“Os temas são variados, mas sempre com um viés teológico e bíblico, procurando trazer aos leitores uma visão cristã, dentro dos princípios fundamentais da fé”, explica. E não se pense que por abordar temas tão pesados, o pastor Gilson traz uma leitura triste, dramática, pessimista.
Ao contrário, sempre encontra nos versos bíblicos, à luz da história e da fé, gotas de otimismo e faz de cada texto um bálsamo e uma esperança.
Essa visão positiva é enaltecida inclusive pelo autor do prefácio, o bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari (leia mais nesta página).
Onde encontrar a obra: Secretaria da Igreja Batista Estoril: rua Virgílio Malta 21- 59.
www.igrejabatistaestoril.com.br/
Fone para contato: 3226-1343
Preço: R$ 30,00.
‘Prefácio ecumênico’
Como convém aos tempos contemporâneos (aliás, deveria ser sempre assim) o prefácio é ecumênico, por assim dizer. Quem apresenta a obra é o bispo da Diocese de Bauru, dom Caetano Ferrari, mostrando que a obra vai além da doutrina religiosa, do pertencimento a esta ou aquela Igreja.
Dom Caetano conta que, entre ele e o autor, há uma “amizade que nasceu da admiração”. Com propriedade ele fala da coragem e a ousadia dos temas abordados publicamente pelo escritor, que toca em assuntos complexos e polêmicos da atualidade “desmascarando as ideologias que fomentam problemas humanos e patrocinam projetos políticos nocivos para a sociedade”. Um exemplo de coragem do autor é quando este “denuncia a ideologia da emancipação do homem que não precisa de Deus e se basta a si mesmo para dar sentido e existência à realidade”, diz dom Caetano.
Mas, felizmente na própria visão do admirador do autor, há algo de positivo, porque se há o tom de alerta, a fala do pastor Gilson é também “ao mesmo tempo uma fala de otimismo e esperança, porque aponta para a misericórdia e o amor Deus”.
E é bem isso que quem ler a obra vai encontrar: críticas aos excessos atuais, mas sempre um caminho de esperança, à luz da vida de Jesus Cristo e das palavras bíblicas.
Trechos da obra
Matar em Nome de Deus?
*** Acerca da luta entre o modelo ocidental de educação e o oriental que quer implantar a sharia (lei islâmica) no Quênia no Quênia, na África, culminando com ataques em Nairóbi.
“Infelizmente o nome de Deus está manchado com o sangue de muitos inocentes, não por culpa Dele, mas de alguns que se acham os manipuladores da Divindade”... “Apesar dos erros que a Igreja cometeu na promoção de guerras e atitudes erradas, elas jamais podem ser baseadas na Bíblia, pois quando olhamos as Escrituras elas nos ensinam a desenvolver a misericórdia, a compaixão e o amor, até aos inimigos (cf. Mateus 5:39-48).
Por Que Conhecer Jesus é o Mais Importante?
*** Sobre do individualismo dos cristãos
“Infelizmente, para uma boa parcela dos cristãos, a igreja é um clube de relacionamento... Muitos chegam à Igreja querendo ser satisfeitos em suas necessidades pessoais... Muitos querem ouvir do pastor conselhos como se estivessem numa terapia de grupo... Na Igreja, conhecer Jesus é o mais importante... Jesus é o exemplo supremo para a nossa vida, pois em qualquer assunto Ele traz a excelência”.
Infância, adolescência e Responsabilidade Social
*** Sobre maioridade penal e do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)
“O que leva um adolescente a cometer um crime? Em que ele difere de um adulto?... Certamente já perdemos uma geração para as drogas, para a violência e para a falta de investimentos em nossas crianças. Isso trará uma conta alta num futuro próximo. O que fazer?”
“A Bíblia diz: ‘Se a sua conduta é pura e correta, até a criança se revela por suas ações (Provérbios 20:11)’. Veja que a Bíblia mostra que a criança não é totalmente ignorante de si mesma. O que ela precisa? Ser guiada corretamente”