10 de julho de 2026
Política

Para Zarattini, Dilma tem de assumir reformas inadiáveis

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Ele está assumindo a presidência da Frente Nacional da Mídia Regional na Câmara Federal e considera que, apesar da crise política, econômica e de conteúdo moral, o País precisa ter agenda mínima em torno de pontos que não podem esperar. O deputado federal Carlos Zarattini (PT) é do grupo dos que insistem que temas como a Reforma da Previdência não podem ser adiados. Mas Zarattini considera que Dilma não pode perder tempo com a agenda inadiável. 

Em visita a Bauru ontem, Zarattini abordou as dificuldades do governo Dilma Rousseff (PT), reconheceu erros do PT na articulação política, inclusive no Congresso, mas ponderou que é preciso sair dessa situação que paralisa o Brasil. “Acho que todas as denúncias e investigações que houve colocam não só o governo como o Congresso em situação de dificuldades. São cinco processos contra o Renan Calheiros e a denúncia contra o Eduardo Cunha. Acho a questão do impeachment superada na Câmara. E as apurações estão em curso, mas o País não pode ficar paralisado e não pode adiar uma agenda básica”, defende.

Para tanto, o deputado considera que, apesar do alto índice de impopularidade, a presidenta Dilma Rousseff (PT) tem de assumir o protagonismo a partir da agenda inadiável. “Ela tem de assumir a agenda de mudanças econômicas que reponham o País na rota do crescimento. A presidenta, o PT e os demais partidos da base têm de assumir as propostas da Reforma da Previdência, a recomposição fiscal (leia-se aprovar o retorno da CPMF) e a reorganização do governo e da economia”, menciona.    
Apesar do descrédito em relação ao governo e do ambiente de divisionismo, nas ruas e no Congresso, Zarattini aposta na mudança de rota. “De fato o ambiente é ruim. Mas ele precisa ser enfrentado. E a Dilma retomou a ação política intensa com os aliados e dentro do governo, se reuniu várias vezes com a liderança e está articulando temas que precisam ser enfrentados”, acrescenta.     

Em relação ao episódio da denúncia envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) e dos reflexos do impasse sobre a agenda política, Carlos Zarattini aponta, primeiro para o erro interno. “O PT errou e o governo errou também em insistir em lançar candidato contra o Eduardo Cunha. Porque era mais ou menos evidente a vitória dele. E o governo entrou e isso significou uma derrota enorme. O Cunha se alinhou com a oposição e contra o governo e nós ficamos fora da mesa e de comissões. Era possível ter evitado esse stress, se tivéssemos tido uma visão mais estratégica e ampla. A partir dai o Cunha esteve em posição diferente, ora perto do governo e ora indicando mais distância. Mas quando foi necessário se pronunciar, como a Comissão de Ética, o PT se posicionou firme e pela apuração”, lembra.   

Sobre a Frente da Mídia Regional, Zarattini mantém a pauta pela distribuição da publicidade, que já vinha sendo implementada. “Nossa pauta é manter a luta pela distribuição das verbas do governo federal e das estatais, incluindo Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Federal. Mas nós também queremos que haja certa correção nesse processo, porque durante uns três anos houve excessiva pulverização dessa verba. E é preciso que o governo tenha critérios claros de medição da importância e penetração do veículo nas localidades para efetuar a distribuição regional disso. A imprensa tradicional não chega ao Interior do País”, comenta.