10 de julho de 2026
Geral

Esgoto faz grupo jantar na calçada

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto
Manoel, Maycon, Tiago e Guilherme foram “expulsos” de casa por um refluxo de esgoto

Quando o estudante de engenharia mecânica Guilherme César Trindade de Freitas, 23 anos, chegou à casa que divide com três colegas, situada na quadra 17 da rua Almeida Brandão, na região da Vila Cardia, em Bauru, encontrou sujeira e mau cheiro. Isso porque houve um problema envolvendo refluxo de esgoto. Diante disso, anteontem à noite, o grupo teve de jantar sobre a calçada. 

Freitas argumenta que o esgoto de todos os apartamentos do prédio estava entupido há uma semana. Contudo, anteontem pela manhã, houve refluxo dentro do imóvel da síndica do local, que acionou o Departamento de Água e Esgoto (DAE), mas não obteve retorno. “Quando cheguei ao meu apartamento, às 18h, o esgoto tinha passado pelos dois banheiros, dois quartos, corredor e sala”, descreve.

Em seguida, o estudante foi pessoalmente até a autarquia, porque não conseguia contatar o órgão via telefone. Uma equipe vistoriava o local enquanto os estudantes jantavam sobre a calçada. “Nesse momento, o apartamento estava tomado por uma altura de cinco dedos de água suja, fora o cheiro, que estava insuportável e fez com que comêssemos do lado de fora”, justifica.

Além disso, estante, camas, mesa, roupas, ferro elétrico e, até mesmo, cestas básicas se perderam após o incidente. Os jovens também tiveram de passar a noite fora do imóvel, que recebeu higienização apenas no dia seguinte. “O dono de um apartamento vago do mesmo prédio permitiu que dormíssemos no local”, frisa. Freitas já ingressou com um processo junto ao DAE para solicitar o ressarcimento do prejuízo.

Ligação irregular
Em nota, a assessoria de imprensa do DAE esclarece que, ao executar a desobstrução do Poço de Visita (PV) da região da rua Almeida Brandão, a equipe da autarquia constatou que havia um grande volume de água de chuva interligada à rede de esgoto. Diante disso, o setor de fiscalização do órgão fará vistoria nos imóveis e estabelecimentos comerciais da área para detectar onde está a ligação irregular, que teria causado o refluxo de esgoto.

Ainda segundo o DAE, as ocorrências de vazamentos de esgoto aumentam até 45% em época de chuvas e são provocadas, principalmente, pelas ligações irregulares. Quando a água pluvial ingressa na rede de esgoto, os PVs não aguentam a pressão e levam aos refluxos. Muitas pessoas improvisam a ligação residencial da água pluvial na rede de esgoto, que não é apropriada para receber um volume de efluente tão intenso.

O DAE explica que a rede de esgoto tem, geralmente, 15 centímetros de diâmetro e a de águas pluviais possui, pelo menos, 30 centímetros. Diante disso, a rede não tem capacidade para aguentar a pressão e se rompe. Portanto, é necessário que os imóveis tenham duas saídas. Além desse problema, também é comum casos de obstrução da rede de esgoto, que são provocados pelo depósito de materiais sólidos.

É comum encontrar panos, latas, plásticos e outros itens dentro dos PVs, fato que prejudica o pleno funcionamento do sistema de esgoto. O órgão revela que tem gente que chega a abrir as tampas desses equipamentos para descartar lixo. Com isso, a própria população é prejudicada, uma vez que o despejo irregular desses objetos também leva ao retorno de esgoto dentro das residências.


Números

Conforme informações do DAE, o Serviço de Atendimento ao Público da autarquia registrou 982 reclamações de retorno de esgoto em 2015 inteiro. Neste ano, já foram 163, o que corresponde a 17% das solicitações de todo o ano anterior. O órgão reforça que esse valor é maior em época de chuvas, porque as ligações irregulares fazem com que a água ingresse na rede esgoto, ao invés de entrar na pluvial, sobrecarregando o sistema e levando ao refluxo.