11 de julho de 2026
Geral

Ter parceiro ou grupo é vantajoso para fazer atividades físicas, diz estudo

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
Rodrigo Carvalho e Adriana Magalhães: parceiros de caminhada no Bosque

Agora que passaram as festas de final de ano, as férias e até o Carnaval, 2016 realmente começou. Com isso, a procura pela boa forma volta a ser uma constante. E todo mundo conhece os benefícios de atividades físicas para o corpo e para a mente, não é? Não se trata de fazer um esporte, mas apenas se movimentar, sair da rotina, deixar a preguiça de lado, andar algumas quadras que seja. Para muitos, apenas isso já é uma dificuldade.

Uma simples caminhada diária traz vantagens como o controle da pressão, estabilização da taxa de diabetes, evita a depressão e ainda emagrece. E, se o exercício for a corrida (desde que seja com avaliação anterior de um profissional), os resultados positivos são aumentados por, no mínimo, três vezes.

Contudo, se a maioria das pessoas sabe disso, por que sempre desanimam ao sair de casa? As respostas para essa pergunta podem ser várias. As desculpas, porém, costumam ir por água abaixo se a pessoa tiver um ou mais parceiros de atividades físicas: um amigo, um personal trainner, um grupo, que sempre funcionam como estimulantes.  

A dificuldade é maior sempre para quem está começando a seguir um treino, ter uma rotina, cumprir um programa mínimo de caminhada que seja. Principalmente porque, no começo, o corpo ainda não está acostumado. Tudo parece desanimar (uma chuva, um atraso, algo passando na televisão). Para levantar sua força de vontade interior, basta seguir uma regrinha básica: não começar só.

Duas histórias nesta reportagem vão animar você.

Os amigos

“Quando percebi que estava muito cansada e sedentária, tive o start, tinha que fazer alguma coisa”, diz Adriana Gomes Magalhães, 46 anos, companheira de corrida de Rodrigo Carvalho, 31 anos, jornalista. Um não faz atividade física sem o outro. “A companhia é muito importante pela força que um dá para o outro. Com as caminhadas, a queima de gordura é maior. Para mim, houve melhoria no controle da glicemia, hipertensão e colesterol”, adianta.

Adriana também não se descuida. Ela se consulta com um médico pelo menos uma vez por ano para checkup. E dispensa o personal. Para ela, “basta ter uma boa companhia e força de vontade”.

Rodrigo vai além. “Acredito que o trabalho de um personal ajuda muito na questão da motivação e também para um treinamento mais funcional. No entanto, você não deve deixar de fazer exercícios por não poder contratar um personal ou frequentar uma academia. Há muitas possibilidades que, às vezes, vão se encaixar até melhor ao seu perfil. O importante é descobrir o que pode te trazer motivação e ser feliz”, lembra ele.

Hoje, Rodrigo já está mais feliz com os 20 quilos eliminados. “O excesso de peso também trouxe algumas complicações de saúde, como falta de ar e, sobretudo, o diabetes, já que tenho histórico da doença em minha família. Eu sabia que estava acima do peso, mas não tinha pique e nem motivação”.

Foi então que, no final de 2014, surgiu a ideia da caminhada. “Em função de um compromisso, todos os dias pela manhã eu passava próximo ao Bosque da Comunidade. Com isso, aproveitei para um dia ir lá caminhar. Quando cheguei, encontrei a Adriana Magalhães, amiga de longa data”.

Assim, eles combinaram de caminhar diariamente. “Eu tive uma motivação a mais para me exercitar pela manhã e o fardo de se caminhar com praticamente quatro sacos de arroz (peso equivalente aos quilos a mais que tinha) se tornou muito mais leve”, diz, com o bom humor restituído.

Você sabia?


Os benefícios à saúde mental são iguais ou maiores do que à saúde física. Tanto que um estudo norte-americano mostrou, em 2014, que fazer três caminhadas de 40 minutos, durante a semana, em ritmo acelerado, pode fazer o cérebro crescer e rejuvenescer.

Por que dá certo?

Diversão: ao lado de amigos, o exercício se torna mais divertido. O ânimo fica mais leve. A ansiedade vai embora mais fácil.

Identificação:  psicólogos já notaram que o ser humano se sente melhor com pessoas e em ambientes conhecidos. Ao lado de quem você conhece. há maior relaxamento da mente.

Avaliação: sem grandes cobranças, você e seu amigo podem avaliar o retorno da atividade. Podem discutir a performance, avaliar dietas e hábitos sem parecer uma coisa chata.

Recompensa: recomenda-se que, após um tempo ou ao atingir um objetivo, os amigos comemorem juntos. Dividir a sensação de vitória é um novo estímulo.

Bauru tem várias opções de lugares para caminhar

Bauru tem hoje vários locais públicos para que as pessoas se exercitem e façam suas caminhadas e corridas. “Não é apenas a Getúlio Vargas. Temos corredores todos os dias de manhã e à noitinha, na avenida da Água Comprida (av. Jorge Zaiden), na pista de atletismo do Milagrão (estádio distrital na Vila Nova Esperança), no Bosque da Comunidade, na avenida José Vicente Aiello, na região próxima aos Villaggios e na avenida Nações Norte”, enumera Roger Barude.

O secretário estima que haja pelo menos 1 mil pessoas caminhando e correndo pelas ruas da cidade diariamente.

O grupo

Malavolta Jr.
Saúde em grupo: Claudio Abujamra, Eraldo Bacelar Soares Junior, Thais Ferguson, Sidnei Bergamaschi, Roger Barude, Marcelo Travagli e Walter Moura correm juntos na FOB/USP

Roger Barude vai disputar uma corrida internacional em abril. O titular da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) de tinha que dar o exemplo. Em setembro, começou um movimento, em prol de si mesmo. Aos 46 anos e com 125 quilos, uma série de pequenos problemas o incomodavam. Os primeiros 17 quilos sumiram com dietas e caminhadas. Depois, começou a correr. Chegou em dezembro aos 89 quilos. Este janeiro teve problemas de gota e já viu a balança subir um pouco. “Mas nada que não possa recuperar em poucos dias”, explica.

Para ele, a frase “juntos é mais fácil” se aplica bem. “É algo muito verdadeiro. Eu precisava de um estímulo”. Entrou para um grupo que utiliza o campo de futebol nas dependências da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP). Três vezes por semana, faz um treino de, no mínimo, uma hora, com especialista.  O personal para ele foi fundamental. Trata-se de Walter Moura, o “Iron Man bauruense”. Maratonista e coach (treinador), Walter participou da Maratona de Chicago em 2015.

A ajuda a Roger foi fundamental. E, em 3 de abril, Barude promete estar correndo os 10 quilômetros de Santiago do Chile.