| Douglas Reis |
| Na rua Maurícia Pereira Lima, no Pousada 2, Marcos vê buraco cada vez mais perto de sua casa |
Nem todos os estragos decorrentes da chuvarada de janeiro foram solucionados. Passaram-se mais de 30 dias após temporal que deixou rastro de destruição em Bauru e parte da população ainda sofre. Exemplo disso é a precariedade de vias públicas.
Ao todo, são oito quilômetros de ruas intransitáveis na cidade, o que corresponde a 80 quarteirões, conforme informou o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues. Para ter noção da dimensão, se as ruas estivessem em linha reta, seria equivalente à extensão de duas avenidas Castelo Branco.
“A maior parte se concentra no Santa Edwirges e Pousada da Esperança 1 e 2. Tem, também, no Jardim Tangarás. São vias de terra que já estão sendo recuperadas, mas a chuva acaba agravando ainda mais a situação”, justifica Rodrigues.
Como consequência, alguns bairros sofreram sem a coleta de lixo, uma vez que as crateras impediram o acesso de caminhões da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) . Sem o serviço, moradores chegaram a descartar lixos e entulhos em terrenos. Na última sexta, contudo, a situação estava sendo normalizada (leia mais abaixo).
Somente no Pousada 1 e 2, são 16 quarteirões sem condições nenhuma de trafegar, apontados pela Emdurb, que solicitou conserto à Secretaria de Obras. A reportagem percorreu o bairro na semana passada e se deparou com ruas em estado calamitoso.
Uma cratera, com aproximadamente 200 metros de extensão, dois de profundidade e com largura que varia entre dois a cinco metros conforme o trecho, tem gerado muitos transtornos aos moradores das quadras 1 e 2 da rua Maurícia Pereira Lima.
O buraco, que se formou em decorrência de um vazamento de água subterrâneo, está a apenas três metros de atingir a residência de Marcos Roberto Matias, 41 anos. “Na próxima chuva, vai chegar na minha casa. Me mudei ontem (quinta-feira) para cá e já percebi que o sofrimento será grande”, critica Marcos.
Sem condições de tráfego, o morador conta com a boa vontade de conhecidos. “Estou guardando meu carro na garagem de um vizinho”. Para entrar ou sair do imóvel, ele precisa dar imensa volta pelo terreno ao lado, alongando em torno de 20 metros o percurso. “Não é fácil”.
A poucos metros dali, a dona de casa Alessandra Marciano Bueno Lasch, 31 anos, que está grávida de sete meses, apontava para poste prestes a cair por conta da cratera. Ela teme pela segurança das crianças, que costumam brincar ali.
Sem água
“O nosso dever de cidadão a gente cumpre, que é pagar os impostos. Já a prefeitura deixa a desejar”, criticou. Ela contou que, em razão do vazamento, a região ficou dois dias sem água. “Fomos obrigados a nos arriscar dentro do buraco para pegar água que saía de um dos canos da tubulação de galerias de água pluvial”, disse.
Na sexta, uma equipe do DAE trabalhava para conter o vazamento, mas não havia, contudo, previsão de aterrar a cratera. No último sábado (20), inclusive, a moradora conta que um policial militar de motocicleta acabou caindo no buraco durante patrulhamento. De acordo com Alessandra, que registrou a cena, o policial não se feriu.
Quando percorreu os bairros Pousada 1 e 2, a reportagem do JC não encontrou lixo acumulado na via pública, uma vez que a coleta estava sendo realizada na manhã desta sexta, após cerca de três dias sem o serviço, conforme disseram os moradores.
Manutenção
Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues estimou que, até o final desta semana (dia 26), as ruas que estão intransitáveis em Bauru devem receber manutenção. “Isso se não chover nesses dias”, pondera Rodrigues.
Sobre a pavimentação das ruas de terra, o titular da pasta reforça que já foi licitado o serviço e assinado contrato com a empresa que realizará a obra. “Estamos aguardando só o Ministério das Cidades liberar o recurso, que deve ocorrer ainda neste mês”, adianta.
Até a coleta de lixo é prejudicada por vias sem condições de tráfego
| Alessandra Lasch/Divulgação |
| Moradora registrou momento em que policial caiu em buraco na rua Maurícia Pereira Lima |
Em razão das 80 quadras intransitáveis em Bauru, a coleta seletiva acabou sendo prejudicada em alguns bairros, confirmou a Emdurb. Somente no Pousada da Esperança, onde foi confirmado o primeiro caso de zika vírus em uma grávida, a autarquia apontou 16 quarteirões onde os caminhões não conseguiram ter acesso.
Sem alternativas, muitos moradores jogaram o lixo de suas casas em terrenos baldios. As chuvas dos últimos dias se encarregaram de espalhar os detritos pelas ruas, deixando o ambiente propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti – que transmite, além da zika, a dengue e a febre chicungunya.
O sentimento da auxiliar de escritório Jhenifer Carolina Santos Delangier de Souza, 18 anos, que está grávida de dois meses, é de medo. “Toda essa sujeira favorece o contagio de doenças”, disse a moradora da quadra 2 da rua Professor Oscar Augusto Guelli, local de difícil acesso tanto para motoristas quanto para pedestres.
Em nota, a Emdurb informou que tem encontrado muita dificuldade na realização da coleta devido ao estado das ruas de terra dos bairros Pousada da Esperança 1 e 2, onde os caminhões não conseguem circular.
“Em alguns casos, os coletores puxam os lixos até o veículo. Em outras situações, o caminhão tem de permanecer parado muito longe, cerca de 200 metros de onde está o lixo, o que dificulta a operação”, destacou a empresa.
Na última sexta-feira (19), a reportagem do JC percorreu o bairro e não encontrou lixos acumulados em terrenos. (Confira logo abaixo mais fotos e um resumo em números no final)
| Divulgação |
| Via também “sumiu” na quadra 2 da Ramiro Vieira, Pousada 2 |
| Rua Professor Oscar Augusto Guelli, quadra 2 |