| Quioshi Goto |
| Mesmo com alguns problemas, a UPA do Bela Vista é apontada como a melhor entre as unidades |
Nenhuma das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bauru possui funcionamento pleno. Algumas, inclusive, têm derrapado na estrutura, por falta ou desgaste de materiais e salas, e no atendimento, por causa da falta de médicos, mas todas elas atendem às expectativas da população razoavelmente bem. A avaliação é do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que, a pedido do Ministério Público (MP), realizou fiscalização nas quatro unidades que atendem urgências e emergências nos bairros da cidade.
A solicitação parte de um inquérito civil instaurado pelo MP, em 2013, por meio do promotor Henrique Ribeiro Varonez, após denúncias da ONG Bauru Transparente (Batra), que apontava problemas na rede de atendimento.
A situação foi confirmada ao MP pelo Cremesp durante fiscalização em 2014, que, entre outros pontos, indicou que as unidades funcionavam sem alguns equipamentos exigidos, como o desfibrilador, e apresentavam problemas de estrutura.
“De lá para cá, notamos evolução positiva. Ainda não há condições plenas, mas as unidades funcionam razoavelmente bem. Existem alguns problemas, mas que parecem mais situacionais. Não houve a impressão de que as unidades estão largadas”, afirma Carlos Alberto Monte Gobbo, diretor de fiscalização do Cremesp.
“A UPA do Bela Vista, por exemplo, possuía problemas graves na urgência e falta de equipamentos, mas melhorou muito. Hoje é a melhor na avaliação. E a UPA do Mary Dota não é classificada oficialmente como uma unidade de urgência e emergência, mas tem aliviado a demanda de atendimento no maior bairro da cidade”, completa o conselheiro, acrescentando que solicitará, em relatório ao MP, a adequação da estrutura da UPA Mary Dota, que foi a primeira inaugurada, em meados de 2011.
Outro apontamento feito por ele em relação às quatro unidades diz respeito à falta de informações detalhadas de pacientes nas fichas de atendimento e à falta de comunicação entre os plantões sobre a situação dos atendidos. “São situações que podem levar ao desperdício e à repetição de exames”, frisa.
A fiscalização ocorreu em meados de dezembro de 2015. O relatório do Cremesp será enviado ao MP nos próximos dias. “Na época, foram feitos apontamentos que o município ficou de resolver. Agora, teremos a ideia do que foi feito e qual a atual situação. Se houver problemas, acionaremos novamente a prefeitura”, comenta o promotor Varonez.
Falhas
Entre os apontamentos feitos no relatório do Cremesp, consta que a UPA do Ipiranga, a última inaugurada na atual gestão, funcionava com o centro de esterilização desativado por conta da quebra de uma autoclave, no dia em que a fiscalização esteve no local. A máquina do exame de eletrocardiograma também estava quebrada e a sala de medicação e o consultório da enfermagem funcionavam no mesmo ambiente que o setor administrativo. A sala de raio-X também estava com o exaustor quebrado.
Na fiscalização, a UPA do Mary Dota tinha leitos no corredor e as salas não atendiam às normas técnicas. Essa mesma unidade, segundo o relatório, tem fechado à noite por falta de médico.
Apontada como a melhor das quatro UPAs, a do Bela Vista tem áreas de infiltração em uma sala e corredor e a condição das poltronas na sala de medicação é precária. Um dos únicos problemas relatados em relação à UPA Geisel/Redentor foi a quantidade insuficiente de médicos plantonistas.