08 de julho de 2026
Articulistas

Prevenção

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 2 min

Palavra pouco exercida e de baixa preocupação para o brasileiro em geral, demonstra o quanto estamos longe de uma qualidade de vida melhor. Damos excessivo valor a bens materiais , mas esquecemos de nossa indispensável  saúde. Alguns comerciais ainda conseguem mobilizar a população, como o uso dos preservativos, principalmente na época do carnaval, onde a sensualidade corre solta e perigosamente. Mas, será que o “beijar muito” é tão inofensivo assim? Quem fala que a cavidade bucal é a porta de entrada e de saída de muitas doenças?


Você já pensou quantas vezes aquela esponja lavou o copo do seu delicioso chope de fim de tarde? E os utensílios como garfos e colheres? Nossos fluidos como sangue, urina, perdigotos expelidos pela boca quando falamos, tossimos, espirramos, beijamos também podem transmitir doenças e onde vemos uma campanha nacional de conscientização?

   

Num destes sábados, os Lions Clubes de Bauru montaram um esquema gratuito de verificação de pressão arterial, teste rápido de glicemia e de hepatite C, nas dependências cedidas gentilmente pelo Walmart. Estivemos lá, convidando a população a verificar como andava a sua saúde. Os exames foram feitos nos períodos matutino e vespertino.


Ao invés de termos filas de interessados, tínhamos que oferecer (“caçar”, para sermos mais exatos) as pessoas. Quando algum dos exames se mostrava indicativo, as pessoas eram orientadas a procurarem os médicos para exames mais precisos. Um caso chamou minha atenção. Convidei um rapaz para fazer os testes e ele respondeu que sabia que era diabético. Perguntei-lhe: como você descobriu? Sua surpreendente resposta: “Quando urinei sangue e fui procurar o médico”.


Doenças silenciosas como diabetes, hepatites, pressão arterial alta, dentre outras, quando se manifestam, muitas já trouxeram complicações que dificultam o tratamento ou o paciente vive numa dependência de procedimentos mais complexos. O glaucoma também é uma doença silenciosa. Campanhas de prevenção são caras para divulgação e implantação, mas tornam-se baratas, quando confrontadas com os gastos impostos à Previdência Social.


Estamos vivendo, neste momento, mais uma dificuldade que é o combate ao mosquito transmissor Aedes Egipt. Quanto que a população poderia contribuir para diminuir essa proliferação? Campanhas são feitas, indiscutivelmente, mas qual o retorno da população? Há uma fuga constante da maioria das pessoas, quanto à realidade dos problemas individuais e coletivos. Vê-se o quanto uma educação faz falta, e quais suas trágicas consequências. Precisa virar uma neura, para surtir algum efeito? Os Lions e outras formas de prestação de serviços, querem continuar essas campanhas socioeducativas, mas a população também precisa fazer a parte dela.

     

Qualquer ser humano sabe que entre o nascer e o morrer, há um intervalo chamado vida e que sua qualidade dependerá de como ele “gosta de si mesmo” e dos outros seres humanos que convivem com ele, nesse período. Depende do seu uso, como por exemplo uma arma que pode defender ou atacar, no indiscutível binômio: ação e reação. Provérbio antigo “Melhor prevenir que remediar”, mas pouco aplicado.

O autor é professor FOB-USP e membro do Lions Clube de Bauru Centro, que comemorará

em abril 60 anos de sua fundação.