09 de julho de 2026
Geral

Sete grávidas em Bauru ainda seguem com suspeita do zika

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Zika se tornou o grande temor das gestantes nos últimos meses

Sete gestantes de Bauru aguardam, desde o início deste mês, o resultado do exame que detecta o zika vírus. A angústia da espera pelas respostas dessas análises, da doença que tem preocupado o mundo em virtude da possibilidade de estar relacionada à microcefalia, já atingiu 16 grávidas no município somente neste ano.

Desse total, oito casos foram descartados laboratorialmente. E um foi confirmado no dia 26 de janeiro, conforme o JC noticiou, mas não há anomalia no bebê, conforme apontou a Secretaria Municipal de Saúde.

A apreensão em relação ao resultado aumenta uma vez que o exame, que é realizado pelo Instituto Adolfo Lutz em São Paulo, para cada caso suspeito notificado no município leva em média 30 dias para ficar pronto, podendo variar para mais dependendo do caso.

Tempo este que gera angústia e pode até mesmo levar pacientes ao pânico por conta fragilidade emocional natural do período de gestação (leia mais abaixo).

Número de exames

O JC questionou a Secretaria de Saúde do Estado a respeito da demora do exame. Uma informação recebida pela reportagem dava conta de que toda a região de Bauru, que é atendida pela Diretoria Regional de Saúde (DRS-6), teria que “disputar” por apenas um teste de zika por semana.

A informação, contudo, foi refutada pela pasta, que informou que os exames são feitos conforme o envio dos kits dos testes de zika pelo Ministério da Saúde.

O teste é chamado de Reação em Cadeia da Polimerase, com Transcriptase Reversa, em Tempo Real (RT-PCR). Segundo a secretaria, a quantidade enviada é suficiente para realização de 10 testes semanais em todo o Estado. Justamente por não atender a demanda, o número em questão acabou triplicado por iniciativa do Estado, conforme afirma a secretaria.

Em sua defesa, o Ministério da Saúde alega que a situação ocorreu porque a notificação dos casos suspeitos de zika passou a ser obrigatória no País somente a partir do dia 18 de fevereiro deste ano. Antes dessa data, o Sistema Único de Saúde não contabilizava os casos.

Ainda de acordo com o órgão, 200 mil testes PCR estão disponíveis no SUS. “Além destes testes, o Ministério encomendou 500 mil testes para identificação simultânea de dengue, zika e chikungunya, que começaram a ser produzidos pela Fiocruz neste mês”, diz em nota.

Diagnósticos clínicos

Vela destacar que, quando há a confirmação de um caso do vírus zika em uma determinada localidade, os outros diagnósticos podem ser feitos de forma clínica, ou seja, por avaliação médica dos sintomas, assim como já ocorre com a dengue em Bauru.

Para gestantes, no entanto, é recomendada a testagem por meio do exame PCR. A confirmação é feita por meio de amostras de sangue, soro e, em casos de nascidos mortos, por vísceras.

Neide Carlos/JC Imagens
Ameaça da microcefalia vira um pesadelo, diz Gretta de Souza

Angústia pode causar até síndrome do pânico

O questionamento feito ao município, ao Estado e à União a respeito da demora do resultado do exame não é sem motivo. Apesar de parecer razoável, o prazo de 30 dias de espera até o resultado para confirmação ou não do zika atormenta o psicológico de pacientes gestantes, mais sensíveis por conta da fragilidade emocional natural do período, e gera até riscos à gestação, alerta a psicoterapeuta Gretta Rodrigues de Souza. Apesar da importância do acompanhamento técnico, a Secretaria Municipal de Saúde informa que não existe um protocolo específico prevendo cuidado ou assistência psicológica a essas mulheres.

“A transformação de mulher para mãe em si já implica uma série de conflitos. E a ameaça da microcefalia acaba virando um pesadelo, pois gera expectativa e angústia. Por isso o acompanhamento e a terapia são essenciais nesse momento”, comenta Gretta. “É preciso falar, viver e sentir esse medo e aprender a lidar com a angústia, porque senão a pessoa corre o risco de mascarar esse medo e desenvolver uma síndrome do pânico”, avalia.