09 de julho de 2026
Geral

Tecnologia não eliminou utilidade e o charme da escrita à mão

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Escrever à mão parece coisa do passado, não é? Nem tanto. O uso da boa e correta escrita, ainda é requisito básico para várias atividades importantes. Mas é também uma forma de aproximação entre as pessoas, pois personaliza a comunicação, confere um caráter mais humano e intimista às relações. As cartas e bilhetes são o maior exemplo disso. No aspecto prático, escrever, com letra legível, é essencial para quem presta concursos, vestibulares, seleção, Enade, Enem, entre outros. E há várias profissionais em que a escrita à mão é ferramenta diária.

Imagine uma jovem de 20 anos que aos oito já começou a usar o computador.                      E para se comunicar digita tudo no celular. Essa jovem, provavelmente, não costuma escrever à mão, não é mesmo? 

Mas, não, pelo menos para Suelen da Silva Araújo, vendedora. Embora se confesse tímida, e ache que tem a letra muita feia, “nunca fiz diário na minha vida na adolescência como minhas amigas’,  valoriza, sim, a escrita manual. “Um bilhete é muito mais gostoso do que uma mensagem eletrônica, um e-mail, quando a gente manda ou recebe um presente de um namorado, o cartão que acompanha tem que ser manuscrito”, reforça e ao mesmo tempo lamenta: “no momento estou sozinha,  adoro mandar e receber bilhetinhos à mão”.

Sua letra é você

João Paulo Matos, 23 anos, estudante de Publicidade. Apesar de ter a opção de usar tablets e computadores , em sala de aula,  acha que nada substitui a escrita à mão. “É muito mais rápido, fácil, a gente escrever à mão. É a sua personalidade. Sua letra fala muito mais de você”, lembra.

“É muito interessante cada um conhecer a letra do outro, se reconhecer inclusive”, sentencia, para emendar: “E não é só por isso. Hoje em dia os jovens têm que treinar mesmo a escrita à mão. Veja que todos os concursos, as seleções profissionais, o Enem, Enade, vestibulares exigem textos manuscritos, então, penso que é artigo de primeira necessidade”.

 

Caligrafia em alta

Sabedor que uma boa letra é muito importante, Jorge Nadim, 82 anos, calígrafo, tratou de perpetuar sua profissão. Há três anos produziu um DVD onde ensina as pessoas a escreverem bonito. Sabe aquelas letras lindas, redondinhas, em linha reta, cheias de detalhes, góticas, letras de envelopes de casamento? Pois essa é a  especialidade dele. É a valorização do belo. 

“Caligrafia cujo termo vem de Callis (beleza) + graffia (escrita).  Além de ser uma arte, dá um toque de elegância e organização aos eventos. O convite escrito por um calígrafo dá importância e ´status´  ao seu convidado, ou evento”, diz, envolvido no meio de diplomas, convites, títulos de cidadão, encomendas que surgem de todo o país. Trabalho não lhe falta. “Nem fiz os dvds  para ganhar dinheiro. Na minha idade, só tenho a agradecer, 80% de tudo o que tenho, vem da caligrafia. O que eu quero mesmo é passar para as pessoas o amor pela escrita, isso tem que se perpetuar”, explica.

Jorge Nadim também fica feliz quando pode dar aulas para escolas, grupos, especialmente os da periferia de Bauru. “Já ministrei cursos na favela, no Fortunato Rocha Lima. E tive uma senhora que viajava de Araçatuba para Bauru toda semana só para aprender comigo, isso não há dinheiro que pague”.

Dica para você escrever bem? A receita, claro é o método dele. Mas fora isso é preciso dedicação, aplicar-se, treinar muito.

FALA-POVO

Você tira de letra escrever à mão?

“Até por causa da minha profissão, precisei estudar caligrafia técnica de projetos, adoro escrever à mão. Em casa faço todas as listas de compras no papel, listinha de afazeres e ainda gosto de ter um lápis e um papel para escrever pensamentos à mão. Ah! Sou daquelas de caderninho de receita. Você passa a limpo e pronto, já sabe de cor a receita toda”.

Larissa Vieiralves, 26 anos, arquiteta

“Sou bem perfeccionista, também trabalho com produtos de beleza para os cabelos, né? Isso já evidencia tudo. Sou preocupada com a caligrafia que seja legível. Não precisa ser bonita, mas é preciso que as pessoas entendam. Minha E uma das coisas que recomendo é que todas as pessoas escrevam um versículo bíblico, todo dia. Faz muito bem à nossa vida”

Siomara Ferrari Kachy, 47 anos, empresária

“Nas horas vagas sou caricaturista e adoro desenhar o rosto das pessoas. É um talento que tenho. E gosto de escrever à mão também. Nos meus papéis vivo reproduzindo letras de música, que falam ao meu coração, ao coração das pessoas”.

Neto Balbino, 28 anos, supervisor de vendas

“Embora tenha me formado em Educação Física, nunca exerci a profissão. Sou mesmo artista plástica. E a escrita cursiva é bem fácil para mim. Acho que ninguém mais escreve bonitinho nos dias de hoje”

Regina Mendonça, 65 anos, artista plástica, de Lins

 

Você sabia?

À mão é muito melhor

Graças a testes e imagens recolhidas através de ressonâncias magnéticas, em 2010,  investigadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, concluíram que escrever à mão traz muitas vantagens, uma vez que são estimuladas e ativadas mais conexões cerebrais, o que favorece a aprendizagem de fórmulas e também de símbolos. Quanto antes as crianças aprenderem, melhor.