09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Família acolhedora

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Você já se imaginou acolhendo em sua casa uma criança que, por algum motivo, esteja em vulnerabilidade? Você já pensou em oferecer a essa criança a oportunidade de conviver em um ambiente familiar e afetivo, possibilitando a ela um desenvolvimento saudável e com todos seus direitos respeitados? ...Fique tranquilo, pois até bem pouco tempo eu e toda a minha família desconhecíamos esse serviço que tem apoio da Prefeitura de Bauru, via Sebes, e Fundato, aos quais na família de origem foi aplicada medida de proteção, por motivo de abandono ou violação de direitos, encontrando-se assim temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção.


Sim, existem alguns requisitos: ser maior de 21 anos, não há restrição quanto ao sexo ou estado civil; ter diferença mínima de 16 anos entre a criança ou o adolescente acolhido; não ter interesse em adoção; não estar respondendo a inquérito policial ou envolvido em processo judicial; todos os membros da família devem concordar em participar do projeto; residir no Município de Bauru; ter disponibilidade para participar do processo de habilitação e das atividades do programa.


Como tenho certeza que nada acontece por acaso. Minha esposa estava internada no final do ano de 2014, quando ouvimos a sua vizinha de quarto comentar sobre o assunto. Nos inteiramos e nos apresentamos à sra Damaris e ao sr. Anderson, respectivamente assistente social e psicólogo da Fundato, e durante dois meses fomos instruídos a respeito. Um dos itens principais é que quando você entra para o programa, já entra com o propósito de ajudar a criança temporariamente, amando, cuidando, ensinando.


Como diria a pediatra dra. Kátia Semeghine, nosso anjo aqui na terra: o recém-nascido precisa nessa fase de muito amor e carinho para se desenvolver e a linguagem do “Manhês” é fundamental. Temos a certeza que vamos sofrer na sua ida, mas vale muito a pena, pela criança. Até agora acolhemos sete recém-nascidos, não pretendemos parar, sendo que a maioria foi para adoção. Quando as pessoas ficam sabendo desse projeto, a primeira pergunta que nos fazem: “Mas tem que devolver?”. Ah! então eu não posso participar, eu me apego demais, sou egoísta. A pessoa esquece que ela é coadjuvante, a criança é o mais importante, o amor que ela está recebendo nos é devolvido numa intensidade ainda maior. Surpreender-se com a quantidade de beijos e abraços guardados que ele tem pra dar.


Descobrir que um olhar, um sorriso ou um abraço amoroso tornam o seu dia muito mais feliz. O primeiro sorriso, então, é fantástico. Ela ganha muito, mas quem ganha mesmo é quem acolhe, disse com razão uma mãe do programa. Acolher uma criança é isso. Dar e receber amor.


Quando a família que adotar a criança, ou quando for devolvida a família de origem, e essas famílias demonstrarem interesse em manter contato conosco, e isso já aconteceu algumas vezes, aí então é maravilhoso. Você participar do crescimento daquela criancinha que você pegou com dias, vê-la crescer, andar, falar…


Gostou da ideia? Entre em contato, pelo telefone (14) 3879-3650. Afinal, “Aquilo que se faz por amor, está sempre além do bem e do mal.” Friedrich Nietzsche.