| Fotos: Douglas Reis |
| Fábio foi morto com golpes de faca no Popular Ipiranga |
Um guardador de carros de 31 anos foi morto a facadas, na madrugada desta sexta-feira (4), no cruzamento da avenida José Henrique Ferraz com a rua Nicolau Constantino, Jardim Gaivota (região do Jardim Ouro Verde), em Bauru. Usuário de drogas, Fábio Henrique Marangoni Ferreira foi golpeado na região do peito e ainda tentou pedir ajuda à namorada de 27 anos, que contou ter presenciado o homicídio.
Os dois namoravam há um ano, mas mantinham relacionamento conturbado e brigavam o tempo todo, conforme relatou a mãe da vítima, Isabel Aparecida Marangoni, 51 anos. Nesta sexta, inclusive, uma triste coincidência na vida de Isabel: há exatos quatro anos, ela perdeu o filho mais novo para o mundo das drogas. “Ele desapareceu e nunca achamos o corpo, mas sabemos que foi assassinado”, contou (leia mais abaixo).
| Isabel lamenta mais uma tragédia em um 4 de março |
O crime
O crime ocorreu por volta das 3h30. Uma equipe da Polícia Militar foi acionada ao local, bem como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a vítima já estava sem vida. Minutos depois, o pai de Fábio chegou junto com a namorada do guardador, que teria saído para pedir ajuda e avisar a família.
Ela contou à polícia que os dois estavam bebendo e, em determinado momento, foi até um bar próximo para comprar pinga, quando viu, de longe, seu namorado conversando com um homem.
Em seguida, o rapaz, que a namorada de Fábio diz não conhecer, esfaqueou seu companheiro e fugiu tomando rumo ignorado. Outra testemunha contou aos policiais que, pouco antes do crime, observou que Fábio discutia com algumas pessoas por motivo de guarda de veículos, uma vez que ele prestava serviços de “flanelinha” nas imediações, onde existem vários trailers de lanche. Um dos comerciantes, inclusive, chegou a ser considerado suspeito, mas não foi reconhecido pela namorada da vítima como autor das facadas.
De acordo com o delegado assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Eduardo Herrera, a namorada de Fábio foi ouvida durante a manhã e liberada.
“Ela negou qualquer envolvimento e não encontramos elementos de que ela cometeu o homicídio. Colhemos depoimento de outras pessoas, mas, até o momento, não há suspeitas da autoria do crime. As investigações seguem e ainda iremos ouvir outras testemunhas e realizar diligências”, adianta Herrera.
O trabalho de perícia técnica deve auxiliar nas investigações, uma vez que não havia nenhuma câmera perto do local onde Fábio foi morto. Ainda de acordo com Herrera, nem a vítima e nem a namorada possuem passagens criminosas. Contudo, segundo a polícia e a própria família, Fábio seria usuário de drogas.
Mãe conta que família iria internar Fábio em uma clínica nesta sexta
Uma triste ironia do destino. Na sexta (4), completaram quatro anos que a faxineira Isabel Aparecida Marangoni perdeu seu filho caçula Alexandre Marangoni Ferreira, na época com 24 anos. Desde 2012, Alexandre está desaparecido, mas a família acredita que ele tenha sido assassinado por causa de seu envolvimento com as drogas. “Até hoje não encontramos o corpo dele”, lamenta Isabel.
Como se não bastasse a angústia por esperar um ente querido que nunca mais voltou para casa, ela teve de encarar outra grande perda: a de seu filho Fábio Henrique Marangoni Ferreira, morto a facadas na região do Jardim Ouro Verde. “Mais um filho que eu perco para as drogas, que eu acredito estar relacionada de alguma forma com a morte dele. É um dia muito triste para mim. Hoje (sexta), iríamos interná-lo em uma clínica. Não deu tempo”, contou.
Isabel, agora, vai se apegar ao filho mais velho, Carlos Eduardo Marangoni Ferreira, de 33 anos. “Foi o único filho que me restou”, disse. Carlos, que atualmente é empresário, disse que venceu o vício das drogas após 15 anos de luta. Ele tentava salvar o irmão, assim como fez com o caçula. “Fizemos de tudo, mas não conseguimos. Eu estava preocupado com o Fábio, pois tive um pressentimento de que ele morreria naquela esquina”, disse Carlos.
Sonhou com a morte
Isabel Aparecida Marangoni contou que teve um sonho em que o filho era assassinato, justamente uma noite antes do crime. “Eu sonhei que ele estava sendo morto. Muito triste perdê-lo. Quero Justiça e que a pessoa que fez isso com ele fique presa”, desabafou.