O vice-presidente Michel Temer (PMDB) alertou para o risco de um conflito social e pediu harmonia entre os poderes para o País sair da crise. Em discurso no interior de São Paulo, neste domingo (6), ele disse considerar inadmissível que um país como o Brasil tenha milhões de trabalhadores desempregados.
"Isso vai gerar logo uma conflitância social que será extremamente prejudicial ao País. Ao invés de apartamentos, separações e divisões, o que precisamos é de uma somatória da sociedade brasileira para tirar o país da crise."
O alerta foi feito num momento em que lideranças do PT convocam militância e movimentos sociais para defender o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obrigado a prestar depoimento à Justiça Federal sob condução coercitiva na sexta-feira passada. Depois de cancelar todas as agendas públicas desde a 24.ª fase da Operação Lava Jato, Temer participou das comemorações dos 174 anos de Tietê, sua terra natal.
O vice-presidente evitou a imprensa na entrada e na saída do evento, numa escola pública, mas aproveitou o discurso para dar uma mensagem sobre a crise nacional. "O que o País mais precisa é de unidade, reunificação, é de um pensamento constante de união para sair da crise", declarou o vice.
Temer defendeu a harmonia entre poderes como necessária para que a sociedade sinta a presença do governo e se sinta pacificada. "Vejo muita desarmonia entre o Legislativo e o Executivo e, às vezes, o Judiciário. Essa harmonia entre os poderes da República é coisa fundamental.
Não somos os donos do poder, somos escolhidos para exercer o poder." Segundo ele, quando a Constituição diz que os poderes são independentes e harmônicos, isso é uma determinação. "Toda vez que há uma desarmonia, o que está havendo é uma inconstitucionalidade, uma desobediência à vontade da Constituição."
O prefeito de Tietê, Manoel Davi de Carvalho (PSD), afirmou que Temer se mostrou "incomodado" com a condução coercitiva de Lula, "mas em nenhum momento fez crítica à ação da Justiça."