Vocês sabem o que é a Wikileaks? Saber responder a essa pergunta é fundamental para entender a atual crise política brasileira em sentido macropolítico e macroeconômico. A Wikileaks é uma organização transnacional responsável por revelar documentos ultrasecretos vazados por governos ou empresas cujo conteúdo costuma impactar o cenário político devido ao seu grau de perversidade. Julian Assange, preso há aproximadamente quatro anos na embaixada do Equador, na Inglaterra é o ativista mais expoente dessa organização e um dos inimigos número um dos governos americano, inglês e sueco.
Outra pergunta mais fácil de ser respondida: vocês sabem qual é, ainda, o produto orgânico mais disputado no mundo? A resposta é o petróleo. Além disso, vocês sabem, acredito, que os Estados Unidos causam o terror no Oriente Médio exatamente por causa desse produto. Pois, então, a partir dessas considerações podemos voltar à nossa atual crise política. Vimos dia 24 de fevereiro de 2016 a votação do Projeto de Lei de autoria de José Serra (PSDB) que retira a exclusividade na exploração do pré-sal pela Petrobras.
Em 2009 a Wikileaks, mesma organização que revelou as táticas bélicas sanguíneas dos Estados Unidos na Guerra do Iraque e do Afeganistão, revelou documentos que comprovavam a aliança entre José Serra e a empresa americana Chevron, em conjunto com o próprio governo americano, para facilitar a extração do nosso petróleo às empresas de tal país. Em documentação apresentada pelo Wikileaks, Serra confirma que, presidente, mudaria as regras de extração do pré-sal. A Petrobras, então, não seria a única a fazê-lo, o que implicaria a perda de milhões aos cofres públicos brasileiros.
Como já disse, se os Estados Unidos implantaram guerras no Oriente Médio pelo interesse ao petróleo, não nos deixariam desenvolver medidas protecionistas em relação às nossas recentemente descobertas jazidas de petróleo, daí retirar qualquer um que tentasse dificultar os seus projetos.
Não é de hoje que vemos a nossa falta de autonomia frente aos interesses americanos. Sabemos que a ditadura militar e o governo militar foram escancaradamente patrocinados por esse país. Em troco dessa “ajuda”, o governo militar subordinou nossa economia ao interesse predador das empresas e concessões americanas que aqui vigoravam naquela época. Apenas para lembrar, a nossa dívida externa com eles, nesse período, subiu assustadoramente. João Goulart sofreu o golpe porque implantava uma política protecionista que impedia que as empresas americanas fizessem o que bem entendessem aqui. Criaram, para isso, o ‘terror comunista’.
Pergunto novamente. Será que passados apenas 52 anos os Estados Unidos mudariam sua estratégia e nos deixariam gozar das nossas imensas reservas de petróleo denominadas pré-sal? Não é muito estranho a Petrobras ser o epicentro dessa crise política enfrentada pelo Brasil e não é ainda mais estranho o Congresso Nacional, na surdina da noite, pressionar para que acontecesse a votação do Projeto de Lei do Serra que permite a retirada do pré-sal por outras empresas que não a Petrobras?
Assim como em 1964, os Estados Unidos fomentaram o golpe militar para conseguir preservar seus interesses econômicos no Brasil. Em 2016, agora com o petróleo, produto orgânico mais disputado no cenário mundial, eles tentam nos enfraquecer para, com isso, retirar nossas riquezas. Não é teoria da conspiração, é só voltar em 1964 e analisar os fatos para observar como eles estão se repetindo.
Por essas evidências não apoio as políticas neoliberais americanas que são nada mais nada menos do que políticas neocoloniais de entrega das nossas maiores riquezas – do nosso território e da nossa autonomia. Por isso também eu não bato panela e acho o aplaudaço à Polícia Federal um ato de extrema falta de informação e, de certa forma, apoio ao entreguismo do nosso pré-sal aos americanos. Para desejarem privatizar a Petrobras é um pulo e quem ganhará com isso serão as empresas, possivelmente americanas, holandesas, inglesas, francesas, alemãs que a comprarão. Para nós, apenas as migalhas, apenas o fortalecimento do pacto neocolonial.