09 de julho de 2026
Geral

Bombeira surpreende em carreira de alto risco


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Fotos: Malavolta Jr.
Bruna Lima (da esq. para dir.), Laíz Batista e Letícia de Souza contam que, felizmente, não há espaço para preconceito no quartel

Em quase 100% dos casos, o cenário é desafiador. Temperaturas altíssimas não são os únicos elementos do ambiente hostil. Quem acompanha de longe a arriscada profissão de bombeiros chega a se surpreender quando, ao final do trabalho dominado por homens, o capacete é retirado e o que se enxerga é o rosto suado de uma mulher

Aceituno Jr.
Mônica Cristiane Teixeira, 30, trabalhou por anos no JC antes de encontrar sua verdadeira vocação: salvar vidas 

O sobressalto, em muitas ocasiões, resulta até em pedidos de “selfies” ali mesmo. A experiência foi vivida, por exemplo, pela bombeira Mônica Cristiane Teixeira, 30 anos. Ela é velha conhecida do JC. Trabalhou anos no jornal antes de encontrar sua verdadeira vocação: salvar vidas. Esta pauta em homenagem ao Dia da Mulher, inclusive, foi inspirada na surpresa que os próprios antigos colegas de trabalho de Mônica tiveram ao vê-la toda “paramentada” hoje em dia.

Fera no trabalho que já exerceu em Santos e, agora, será realizado em Sorocaba, Mônica, “exportada” de Bauru, é um exemplo da importância da igualdade, independentemente da função. Assim como as três colegas de Bauru, para exercer o ofício, ela lança mão de resistência física, equilíbrio mental, coragem, técnica e muita vontade de auxiliar o próximo.

Todas nascidas na cidade, as soldados Viviane Laíz Lopes Batista, 31 anos, Letícia Iris Angelino de Souza, 31 anos, e Bruna dos Santos Lima, 20 anos, também encontraram na carreira suas realizações profissionais.

As quatro contam que, dentro dos quartéis, são tratadas sem privilégios por serem mulheres – e que ficam felizes pela conduta de igualdade. Nas ocorrências de rua, as obrigações também são as mesmas dos bombeiros masculinos, que, em Bauru, somam cerca de 100.

Elas participam de todo tipo de atendimento – de combate a incêndio e resgate em acidentes, até afogamentos e socorro a pacientes clínicos. “O diferencial é que nós, mulheres, temos uma sensibilidade mais aflorada. Então, acabamos tendo mais jeito para lidar com algumas situações, como ocorrências envolvendo crianças, idosos e mulheres. Tratadas de uma maneira mais doce, talvez as pessoas se sintam mais confortáveis”, analisa a soldado Letícia.

Há 12 anos na corporação, a soldado Laíz destaca que não há restrições para atender qualquer tipo de chamado. “Temos equipes de salvamento, de incêndio e de resgate, 24 horas por dia de prontidão. Dependendo da complexidade da ocorrência, todas elas podem atuar juntas. Ninguém trabalha sozinho e todo mundo se ajuda”, esclarece.

Sem preconceito

Apesar da modéstia, Laíz, assim como Letícia, Bruna e Mônica passaram por testes físicos bastante difíceis para ingressar no Corpo de Bombeiros. Letícia reconhece, inclusive, que esta exigência é o que leva a corporação a ter tão poucas mulheres.

“Não se trata de discriminação. É que a prova requer muita força e condicionamento. É preciso ter preparo e, para tanto, precisa ter paixão, envolvimento. E não é todo mundo que tem”, pontua. O preconceito, ela garante, também não tem espaço dentro do quartel. “É claro que as brincadeiras existem, principalmente em relação à vaidade feminina, mas é tudo muito saudável”, resume.

Nas ruas, Bruna conta, a reação do público é das mais diversas. A surpresa, contudo, geralmente vem quando as bombeiras estão em ocorrências de combate a incêndio, quando precisam vestir equipamentos de segurança que acabam escondendo boa parte do rosto.

“Quando a gente desequipa, alguns ficam espantados, outros acham legal. Tem gente que chega a vir até nós para dizer que nunca tinha visto uma mulher no Corpo de Bombeiros”, relata Bruna.

Sem rotina

A falta de rotina e a adrenalina provocada a cada chamado estão entre os motivos que levaram Laíz, Letícia, Bruna e Mônica a optar pela carreira. Elas destacam, contudo, que a consciência sobre a responsabilidade que a profissão requer, assim como a ciência sobre todos os riscos e o controle emocional para a tomada rápida de decisões também não podem ser perdidos de vista. “Mas a maior recompensa é poder ajudar alguém e ter a gratidão desta pessoa, que, muitas vezes, ainda está dentro da unidade de resgate. Não há nada que pague esta sensação de dever cumprido”, completa Mônica.

Malavolta Jr.
Laíz Batista, Letícia de Souza, Bruna Lima e Mônica Teixeira são movidas, diariamente, pela vontade de auxiliar o próximo