Essas são as frases que mais escuto todo dia 08/03. E, desde que me entendo por gente, não consigo compreender a lógica dessas ‘parabenizações’. O Dia Internacional da Mulher é um dia de combate, de luta, de enfrentamento em prol da igualdade. Nossa luta é para que o gênero deixe de ser argumento para remuneração diferenciada, tratamento diferenciado, discurso diferenciado.
Por que comemorar? Por acaso já conseguimos alguma igualdade? Realmente peço desculpas por minha indignação, mas aos que acreditam que me parabenizar no dia 08/03 apaga todas as discriminações que enfrentamos nos outros 364 dias do ano, informo que estão enganados. Precisamos encarar o Dia Internacional da Mulher como um dia de combate, para que talvez as nossas netas possam usar tal dia como comemoração.
Àqueles que discordam (e, saibam, vocês têm todo o direito), peço que antes de recriminarem meu discurso pensem se no Dia da Consciência Negra vocês parabenizam os negros que encontram. E por que não? Pelo simples fato de que o dia 20/11 não é um dia de festa, mas um dia de luta. E assim também deveria ser encarado o dia 08/03.
Receber parabéns de homens que humilham constantemente suas mulheres, que não são capazes de lavar um copo (por ser essa uma “atividade feminina”), que fazem discursos em prol da igualdade, mas só promovem outros homens... Não, decididamente isso não me agrada. Muito pelo contrário. Isso me indigna, me aborrece, me irrita.
Mas não vou apenas atacar os homens. Não. Estou cansada de ver mulheres repetindo sem pensar discursos machistas, do tipo “Olha que barbeira - só podia ser mulher” ou “Veja a camisa amassada daquele colega! Que mulher desleixada ele tem”.
Então, mulheres, não utilizem um dia tão importante como esse para comemorar e agradecer por rosas ou por elogios! Isso é muito pouco! Usem esse dia para refletir. Para analisar suas posturas e discursos! Para exigir mudanças! E mais do que isso: para mudar! Temos que entender que nós já somos iguais. Temos apenas que compreender isso e agir sempre conscientes dessa isonomia. Só assim o gênero perderá a importância. E aí sim poderemos comemorar!
A autora é advogada