09 de julho de 2026
Articulistas

O que aconteceria se...

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min


Após simular a própria morte, Hitler morou na cidade de Cassino (RS) entre 1945 e 1947. Em 1948, contudo, um avião de pequeno porte onde ele estava caiu num pântano em Bogotá, Colômbia. Acidente sem sobreviventes.

Já Michael Jackson está bem vivo em alguma ilha da fantasia por aí. Tanto é verdade que muitos viram o astro se levantar da maca com pano branco onde foi colocado num helicóptero logo após seu falso óbito. Tem no Youtube isso.

Elvis Presley... bem, você e eu já sabemos. Já Paul McCartney, o verdadeiro, foi degolado em colisão de carro ainda nos anos 60 – e um sósia tomou seu lugar desde então. Inclusive, canta melhor do que o Paul original: basta comparar gravações novas com antigas. A propósito: alguém realmente viu o corpo de Bin Laden?...

As histórias acima ilustram um gênero que ainda não foi devidamente catalogado, batizado. De forma simplificada, temos a realidade e a ficção. Ok. Mas... e essas histórias aí que parecem fantasiosas e arrebatam milhares de adeptos ao redor do mundo, são o quê? Ficção realística? Realidade ficcional?...

A Marvel publicou, há anos, uma interessante série chamada “O que aconteceria se...”. O nome (“What if?”, no original) é tão instigante que nunca mais abandonou minha memória. Nessa série, em parte reeditada no ano passado, heróis da marca ganham destinos bem diferentes daqueles que conhecemos. Um exemplo que conquistou as bancas ainda na década de 70: “O que aconteceria se... o Homem-Aranha entrasse no Quarteto Fantástico?”. Dá-lhe história. Ficção dentro da ficção. 

Quem sou eu para dizer que Bin Laden realmente foi morto – e que Michael Jackson não está vivo. Certo dia, o escritor francês Marcel Proust (1871-1922) teria pensado em voz alta: “Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras”.

Nem sei se é mesmo autor da frase de efeito, mas faz todo o sentido. Que mais lendas, fantasias  e loucuras, de vez em quando, povoem nossa imaginação. Afinal, o que aconteceria se evaporasse de nós o dom da curiosidade? Melhor nem simular tal situação.

O autor é editor executivo do JC