08 de julho de 2026
Bairros

Nem cão nem gato

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Morador do Altos da Cidade, o engenheiro Eduardo Lincoln 

Lofiego é apaixonado pelas calopsitas Tico e Teco

Elas pedem carinho na cabeça e conversam buscando comunicação e atenção. Quando estão no chão, andam literalmente nos calcanhares das pessoas, já que não gostam de solidão e querem estar com os “seus” humanos. E se estão insatisfeitas ou carentes, gritam. Assim são Tico e Teco, as calopsitas de estimação do engenheiro Eduardo Lincoln Lofiego.

Como Eduardo, há muita gente por aí que opta por bichinhos de estimação exóticos ou que divide o espaço dos cães e gatos com eles (leia mais nas próximas páginas).

A história do engenheiro com as aves começou quando a família perdeu o cachorro para a leishmaniose. “Ele sofreu e nós também. Conhecemos as calopsitas através de uma amiga. Não sabíamos que um pássaro podia ter o comportamento de um animal doméstico, como o cão ou gato”, lembra.

Apaixonado pelas aves, ele faz questão de relatar o carinho recíproco entre ele e Tico e Teco, que reconhecem até mesmo o barulho do motor do carro de Eduardo. “De manhã, antes de comer, já querem carinho na cabeça. Quando chego para o almoço, gritam querendo atenção. Então coloco as duas no ombro e almoçamos juntos, enquanto elas “contam” como foi a sua manhã. O Tico é mais falante. Já o Teco, mais atento”, enumera.

Para o “engenheiro das Calopsitas”, as aves acreditam que são membros da família, e assim tratam as pessoas da casa. Ele conta que elas manifestam carinho tentando conversar, imitando o rimo e o tom com que ele, a esposa e os filhos conversam entre si. “Acreditam que são como nós. Também se expressam com movimentos corporais. Tudo o que querem é atenção e carinho.

E nós damos isso à elas”.


Informar-se sobre a espécie escolhida é fundamental

Cada espécie tem as suas características próprias que precisam ser respeitadas na hora dos cuidados. Alimentação, higiene, instalações, temperatura, iluminação, horários, aspectos comportamentais, interação com animais domésticos e com os próprios donos estão na lista das informações que todos devem saber antes de levar um animal exótico para casa. Quem orienta é a veterinária Maria da Conceição Lopes Pampani.

“É muito importante que antes da pessoa adquirir um animal exótico ela procure saber todas as informações a respeito dele para poder oferecer a esse animal  as condições necessárias para seu bem estar”, acrescenta. O ideal é buscar ajuda junto a um médico veterinário com experiência na área de animais silvestres. 

Ainda segundo Pampani, basicamente todos esses cuidados citados se estendem a todos os animais domésticos: alimentação e nutrição corretas, instalações limpas, arejadas, com o espaço certo para cada espécie, onde se sintam confortáveis e protegidos, muita atenção, carinho, cuidado e respeito sempre, além da orientação veterinária a respeito de vermífugos, vacinas, suplementos, para aqueles animais que precisam.

“Também é importante estar sempre atento às mudanças de comportamento, pois podem ser sinais de problemas de saúde”, finaliza.


Fique por dentro

É considerado silvestre exótico o animal que não pertence à fauna nacional, como calopsitas, cacatuas, porquinhos- da-índia, ferrets, chinchilas, iguanas, periquitos australianos, lóris, agapornis, entre   outros. Estes, segundo a veterinária Maria da Conceição Lopes Pampani, podem ser comercializados e criados sem autorização específica (Leia mais no infográfico da página 2).

Já um animal silvestre nativo é aquele que pertence à fauna nacional, e somente pode ser comercializado por lojas e criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo vendidos com nota fiscal e chip implantado. Exemplos são as maritacas, araras, tucanos, jabutis, jiboias, saguis, entre outros.