11 de julho de 2026
Cultura

Do contemporâneo ao inimaginável

Carol Alencar
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto
Passeio por pintura, escultura e fotografia resumem seu estilo

Ela cresceu em Pradópolis, na região de Ribeirão Preto e só chegou a Bauru após a confirmação de que passou em artes visuais na Unesp há 8 anos. Hoje, aos 27, a artista Tássia Sardão tem identidade consolidada em suas obras de arte, que são, como ela mesma define: infinitas.

Tássia passeia entre a pintura, escultura e fotografia e garante que tudo que é retratado tem algo muito ligado a ela.

“Não tenho uma limitação, gosto de ter vários instrumentos para criar. Acho que o artista em si, tem isso com ele e gosto de admirar as pequenas coisas, as coisas vivas, tudo isso me inspira e me dá suporte para realizar minhas obras”.

Com um estilo marcado por cores e contrastes, fica perceptível para nós, meros espectadores, uma obra gritante e expressiva.

“Retrato meus sentimentos que são, por sua vez, carregados por memórias, da infância, de tudo que vivi e vivo e por aí vai... assim é a arte”, explica ela, que perdeu o pai aos 2 meses de vida e já ali teve num ambiente de luto.

Processo criativo
Para criar, Tássia diz que não precisa de muito. Utiliza de sua própria casa para “botar pra fora” tudo o que precisa.

“Muitos artistas alugam ateliê, eu não. Uso os cômodos da minha casa e também não tenho horário para criar; a criação é constante, quase que não paro, acredito que com a arte é assim, a gente floresce e cresce... O amadurecimento nas artes vem daí”, conta.

Sobre Bauru, faz uma reflexão. “Penso que estou fechando ou iniciando um ciclo; quero ir para onde o vento me levar, gostaria muito de morar em um outro lugar, de repente, mas Bauru é cidade que permite arte e também que me acolheu com muito carinho...”

Sobre os processos criativos e quando houve o “despertar” para a arte, pondera: “Acho que nasci para isso; desde que me entendo por gente eu respiro arte... Minha mãe diz que desde o parquinho eu já mexia com argila, areia...este sem dúvida, foi o meu maior sonho, poder fazer e trabalhar com arte”.


‘batizado’
Parte de sua produção (31 obras inéditas da artista) compõe a exposição “Imaginário Ritual” da 27ª Exmarte na Pinacoteca Municipal/Casa Ponce Paz.  

Já sobre o nome da exposição (“Imaginário Ritual”), Tássia diz que está ligado com sua criação. “Tem a ver com o cotidiano, com essa reinvenção das memórias, das análises dentro das obras; o nome resume de certa forma o que eu venho produzindo”.

Dos elementos que integram as obras da exposição, ela tem uma técnica mista que vai de tecidos, materiais alternativos, flores naturais a pintura acrílica, bordados e até crânio de boi.

 “Tem um pouco de tudo, a força é vista na pintura e até nos materiais que são tridimensionais, mas meu trabalho dialoga muito com a literatura, música, cinema...tudo que envolva cultura e possa, de alguma forma, deixar de contribuição para a arte da cidade de Bauru”, pontua.

serviço
A 27ª Exmarte fica aberta até o dia 31 de março, de segunda a sexta-feira, 9h às 17h. A Casa Ponce Paz fica no cruzamento das ruas Ezequiel Ramos e Antônio Alves, 9-10. (14) 3232-1552.