10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Onde estava o brasileiro no último domingo?

Thaisa Nogueira Marciano
| Tempo de leitura: 2 min

A manifestação de 13/03 foi emblemática. Todos os jornais falam que se trata da maior manifestação política da história do país. E isso é muito! No entanto, apesar da imensa adesão, não se pode deixar de observar o perfil dos participantes dos movimentos – e não há dúvida de que os milhões de pessoas que foram às ruas no último domingo não representam o país. Infelizmente.

    

Se tomarmos por base a cor da pele, a condição sócio-econômica ou o grau de instrução, podemos constatar que os participantes das manifestações integram, na verdade, uma parcela minoritária, formada essencialmente por pessoas de pele clara, com condição financeira e educacional mais elevada que a maioria.


E onde estava a verdadeira nação brasileira nesse último domingo? Onde estavam os trabalhadores que recebem salário mínimo, os moradores de comunidades carentes, os cidadãos que estudaram apenas até o nível fundamental (ou menos)? Será que eles não saíram às ruas porque aprovam a ordem (ou desordem) política ora estabelecida? Não.

   

Com certeza a não participação dessa imensa parcela não decorre da falta de concordância com o movimento, pois eles também têm sofrido com desvalorização da moeda, com a crise econômica, com o desvio de verbas públicas, com os escândalos da Petrobras e do tríplex.


Aliás, eles são as maiores vítimas de tudo isso. Mas e por que não estavam nas ruas? Porque, infelizmente, eles sempre estiveram à margem do saber. Os brasileiros não são condicionados a ler jornais, discutir política ou participar da vida pública.

   

A grande massa é incapaz de refletir sobre a aquisição, por um detentor de cargo político, de um imóvel avaliado em um milhão de reais, por exemplo, já que, para esses brasileiros, todos que ganham mais que eles são ricos, ou seja, perfeitamente capazes de ter fazendas e apartamentos, sem que isso represente desvio de verba.


E nós, minoria minimamente letrada, não percebemos que a instrução que temos não nos torna melhores que eles – nos torna devedores, já que temos acesso a conhecimentos que deveriam ser gerais e indiscriminados. Nós temos condição de receber as informações e refletir sobre elas, distinguindo o que pode ser real e o é inverossímil. Mas esse saber tem seu preço. E é um preço alto.


Esse preço é a responsabilidade pela mudança, já que cabe a essa minoria minimamente instruída tomar as decisões do país. É responsabilidade dessa parcela estudada da população mudar tal cenário. E é importante que se diga: a mudança não pode ser arquitetada tendo em mente as melhorias almejadas por essa minoria. Foi assim que o Brasil andou até hoje e já temos provas suficientes de que esse formato não está funcionando.


O que se precisa fazer é compreender que os detentores do saber, aqueles que foram às ruas no domingo, devem exigir mudanças que atinjam o brasileiro típico, não para que todos tenham rendas e saber iguais (afinal, estamos em um país tipicamente capitalista); mas para que todos tenham acesso ao mínimo aceitável - com relação a dinheiro, saúde, lazer ou, especialmente, a saber.