| Malavolta Jr. |
| Cerca de 200 grevistas fizeram passeata, da sede do sindicato até o Palácio das Cerejeiras |
O primeiro dia de greve dos servidores municipais começou com a adesão de 4,7% dos funcionários, segundo levantamento da prefeitura, e de aproximadamente 5,2%, de acordo com estimativa do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm). Atualmente, o funcionalismo público soma cerca de 7,5 mil trabalhadores da administração direta e indireta.
Logo pela manhã, a Emdurb conseguiu evitar a adesão de seus 850 empregados, entre eles coletores, ao primeiro dia de movimento, com uma proposta diferenciada da oferecida ao restante dos servidores: reajuste salarial de 3,5% - já oferecido pelo governo - e aumento do vale compra para R$ 370,00 (a proposta da prefeitura segue de R$ 310,00 para R$ 342,00).
Nessa quarta-feira (16), a juíza da 1.ª Vara da Fazenda Pública, Elaine Cristina Storino Leoni, concedeu liminar, a pedido do município, obrigando o Sinserm a manter “100% dos serviços inadiáveis, notadamente os (de pronto atendimento) da Saúde, e 70% dos demais serviços essenciais”, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
“Iremos questionar estes percentuais. A administração, mais uma vez, não nos chamou para discutir estes índices e recorreu diretamente ao Judiciário, uma postura para tentar barrar o direito de greve do trabalhador, que lamentamos. A Justiça deveria cobrar 100% no pronto atendimento da Saúde quando não tem greve também, porque isso a prefeitura não garante”, argumenta o diretor do Sinserm, Valdecir Rosa.
Ele frisa que o sindicato segue aguardando nova contraproposta da prefeitura e vislumbra que, com o passar dos dias, o movimento ganhará força. Rodrigo Agostinho, contudo, adiantou que não há mais como avançar em relação às reivindicações financeiras.
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| Após negociação com a Emdurb, coletores voltaram ao trabalho |
Negociação
Por se tratar de empresa pública com orçamento próprio, a Emdurb ainda tem autonomia para negociar proposta diferenciada junto aos trabalhadores. Em reunião na manhã de ontem diante da presença de representantes do sindicato, os servidores solicitaram ao presidente da empresa, Nico Mondelli, a apresentação de nova oferta para a manhã de hoje.
Segundo a Emdurb, Nico se comprometeu a avaliar o pedido e, por este motivo, os funcionários trabalharam normalmente e nenhum dos serviços foi paralisado. Às 7h30 de hoje, eles voltam a discutir sobre a possibilidade de aderir ou não à greve.
Até quarta (16), o setores que registravam maior adesão à greve eram a Educação, com 184 profissionais paralisados, a Saúde, com 77, e o DAE, com 57, segundo números divulgados pela administração municipal.
Protesto
Com apitos, faixas e até nariz de palhaço, cerca de 200 trabalhadores realizaram passeata na manhã de ontem, que partiu da sede do Sinserm, na quadra 14 da rua Saint Martin, no Centro, até o Palácio das Cerejeiras, onde os grevistas realizaram protesto.
“Depois, fizemos carreata, passando por alguns pontos para conversar com companheiros que ainda estão em dúvida (sobre aderir ao movimento)”, pontua o diretor Valdecir Rosa. A categoria pede reajuste salarial de 18,47%, aumento do vale-compra para R$ 450,00 e do abono que substituiu o vale-refeição de R$ 300,00 para R$ 350,00.
Sem contraproposta
Em viagem à Brasília durante o primeiro dia de greve dos servidores, o prefeito Rodrigo Agostinho confirmou à reportagem, por telefone, que não terá condições de apresentar nenhuma nova proposta de reajuste salarial aos servidores. A informação foi reiterada pelo secretário de Finanças, Marcos Garcia.
Rodrigo reiterou que o impedimento deve-se à a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece o limite prudencial de 51,30% da Receita Corrente Líquida do município para pagamento de folha. Atualmente, o governo já gasta 51,24%.
“O valor do que poderia ser cortado em termos de cargos comissionados é irrelevante diante da folha de pagamento, porque metade são funcionários de carreira. A maioria não tem como eu extinguir, como chefias de unidades de pronto atendimento ou diretorias de escolas”, aponta, salientando que terá condições de voltar a negociar com o sindicato quando a economia do País reagir e, por consequência, as receitas do município voltarem a crescer.
Creche fechada
Questionada pela reportagem a partir de informações prestadas por um leitor, a Secretaria Municipal de Educação informou que a Emeii Wilson Monteiro Bonato, no Jardim Europa, deverá suspender as atividades às crianças do berçário a partir de hoje. A decisão foi tomada porque quatro funcionárias aderiram à greve. A pasta não deu informações sobre o eventual fechamento de outras creches ou unidades de ensino.
Sindicato acusa daqui e prefeito rebate de lá...
Segundo o diretor do Sinserm, Valdecir Rosa, o sindicato recebeu denúncias de que funcionários de algumas unidades de saúde e escolas municipais estariam sendo assediados para não aderir à greve e os que já haviam aderido, a retornar ao trabalho. “Houve funcionário que recebeu ligação no celular. É algo que abominamos e consideramos uma irresponsabilidade”, considera, adiantando que o sindicato adorará medidas judiciais sobre os casos relatados.
Em resposta, além de reforçar que a denúncia deve ser formalizada, o prefeito Rodrigo Agostinho adianta que recebeu informações sobre “abusos” cometidos durante o primeiro dia de greve, que serão apurados pela administração. “Soubemos de pacientes que chegaram passando mal em unidades de saúde e os profissionais se recusaram a atender. Se comprovada a negligência, os funcionários serão exonerados. Não vamos aceitar este tipo de situação”.