| Quioshi Goto |
| Sandro Bussola, Fabiano Mariano, Lima Júnior com Gilda Carvalho e Sidnei Rodrigues, da Secretaria Municipal de Obras |
Em reunião com vereadores da Comissão de Obras da Câmara, nessa quinta-feira (17), o secretário Sidnei Rodrigues, responsável pela pasta que realiza a operação tapa-buraco em Bauru, apontou o DAE como o principal responsável pela abertura de crateras na cidade, novas ou antigas.
Sidnei foi questionado sobre a qualidade do serviço da operação, que virou alvo de apuração por parte do Legislativo já que os buracos não param de surgir e o serviço de reparo tem sido feito até repetitivamente em alguns trechos.
Um novo encontro com a solicitação da presença da presidência do Departamento de Água e Esgoto e do prefeito, além do secretário de Obras, foi marcado pela comissão para o dia 23 de março.
Segundo o secretário, a forma como o DAE tem reparado as aberturas, sejam oriundas de novas instalações ou de vazamentos, tem sido ineficiente. “Há demora de 15 dias, um mês ou até três meses para fechar um buraco. E a compactação do solo, às vezes, não é feita da forma como deveria, com terra seca e com uma camada de solocimento. Isso tem ajudado a água da chuva infiltrar e o buraco abrir de novo”, frisa.
Como exemplo ele cita a rua São Sebastião, que foi recapeada da quadra 9 ao fim e, de sábado até essa quinta (17), já tinha três novos recortes da autarquia. A Obras diz que de 10 de fevereiro a 10 de março tapou mais de 3 mil buracos em Bauru.
Galeria obsoleta
Outro obstáculo da operação, de acordo com ele, está no sistema de galeria, considerado obsoleto nas áreas de vale da cidade.
“A ocupação de Bauru teve início próxima aos rios e córregos. Nessas regiões, as tubulações instaladas eram pequenas, só que a cidade foi crescendo e essa rede não suporta mais a demanda e causa sufocamento desses pontos durante a chuva”, explica. “Mas esse é um problema no Brasil todo, não há uma norma técnica para implantação de galerias até hoje”, completa.
Com a água correndo na superfície do solo, o processo de deterioração do asfalto acaba acelerado. “E a fragilidade das seis mil quadras com asfalto com mais de vinte anos na cidade ajuda”, comenta.
Asfalto bom
Já quanto à qualidade do asfalto que tem sido usado pela Obras na operação, Sidnei aponta que a usina da prefeitura tem lidado com material e serviços de “primeira”.
Nos reparos de galerias, ele diz que a Obras aplica camada de 17 centímetros de solocimento ou de brita compactada por um caminhão de 25 toneladas, além de uma camada de 7 centímetros de asfalto quente.
Já os buracos abertos pelas chuvas “tapamos com brita ou com pedra 4, que tem espessura maior, mas tudo é impermeabilizado e fixado com cola específica. O mesmo buraco não volta a abrir, o que pode acontecer é a abertura de outra fissura, ao lado, por causa do asfalto velho”, defende.
O secretário, no entanto, cita que os resultados da operação em questão seriam melhores se a pasta tivesse condições de tapar os buracos com asfalto frio. “Só que é o triplo do preço, não temos condições”, diz. Na reunião, Sidnei disse ainda aos vereadores que a população só sentirá o efeito da operação tapa-buraco em maio.
A informação já havia sido publicada no Jornal da Cidade em reportagem no dia 12 de fevereiro. Por conta da greve, a pasta tem trabalhado com três caminhões e três equipes nas ruas, o que tem atrasado um pouco mais os serviços.
DAE
Em resposta ao apontamento feito pelo secretário da Obras, o DAE informou que realiza a compactação de terra e aplicação de camada aproximadamente 10 centímetros solocimento ou brita, além de 4 centímetros de asfalto, no reparos de todas as aberturas que são de sua competência.
A autarquia, no entanto, não soube precisar quanto tempo tem demorado até a realização do reparos.