10 de julho de 2026
Nacional

Lula participa de ato contra o impeachment na avenida Paulista


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Manifestantes tomaram nesta sexta-feira (18) a avenida Paulista, em São Paulo, em ato de apoio ao governo com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nomeado ministro pela presidente Dilma Rousseff.

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo
Manifestantes protestam na avenida Paulista, em São Paulo, a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff

As manifestações a favor do governo se repetiram em outras cidades do País e ocorrem após protestos pedindo o impeachment de Dilma e contra a nomeação de Lula para o Ministério da Casa Civil, num momento de polarização política no Brasil.

Aos gritos de "não vai ter golpe", os manifestantes, incluindo integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais, ocuparam quarteirões da avenida Paulista. A polícia informou que vai anunciar o número estimado de pessoas ao final da manifestação.

"A participação na manifestação é importante, porque nós vivemos uma escalada e uma ofensiva de ataque aos direitos democráticos no país", afirmou Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), segundo o site da Frente Popular, uma das organizadoras do evento.

A chegada do ex-presidente causou tumulto. Lula subiu a Alameda Casa Branca de carro até perto da Paulista.

Cerca de 380 mil pessoas presentes, segundo os organizadores, ouvem discurso de Lula, em cima de um caminhão posicionado em frente ao parque Trianon. "Terça-feira, se não houver impedimento, eu estarei orgulhosamente servindo a minha presidenta Dilma, porque estarei servindo o povo brasileiro, o trabalhador brasileiro. Se eu não acreditasse nisso eu não teria aceito", declarou

Cercado de seguranças, Lula foi ovacionado pelas pessoas com gritos de "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". Também estão presença o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Em discurso em frente ao Masp, o presidente do PT chamou o ex-presidente Lula de "ministro da esperança".

A assessoria de imprensa do Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo) rechaçou a afirmação de Padilha de que os manifestantes de domingo pró-impeachment tiveram acesso a metrô gratuito.

O ato na capital paulista ocorreu após a tropa de choque da Polícia Militar retirar, na manhã desta sexta, manifestantes contra o governo que estavam acampados na avenida Paulista, em uma operação com uso de bombas de gás e jatos de água.

O protesto antigoverno havia começado na quarta-feira depois da confirmação de que Lula fora convidado por Dilma para ser ministro da Casa Civil e da divulgação de conversas telefônicas do ex-presidente, interceptadas pela Polícia Federal, como parte das investigações da operação Lava Jato, em que Lula é um dos alvos. Milhares de manifestantes foram às ruas em diversas cidades do país no mesmo dia. 

BRASÍLIA E RIO

Em Brasília, cerca de 2.500 pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar, se reuniram na Esplanada dos Ministérios, no ato em favor do governo.

Vestindo principalmente vermelho, manifestantes ocuparam também o centro do Rio de Janeiro, carregando faixas e cartazes com dizeres de "fora Cunha, fica Dilma", em referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e "por Lula vale a luta".

Segundo os organizadores, até o início da noite cerca de 50 mil estavam presentes no ato na Praça 15. A polícia acompanhou os dois atos, mas não fez estimativas. "Não é uma competição para saber quem tem mais. A luta é pela democracia que o Brasil levou anos para reconquistar", disse o bancário Antônio Santos.

Mais cedo, policiais federais fizeram nas imediações da sede da PF no centro um ato de apoio aos dois anos da operação Lava Jato, ao juiz Sérgio Moro e contra a intervenção do governo nas investigações do Ministério Público.Os atos em favor do governo ocorreram dias após protestos contra a presidente Dilma e Lula. No domingo, milhões de pessoas tomaram as ruas de capitais brasileiras e importantes cidades do interior, de acordo com cálculos da polícia, para protestar contra a presidente, colocando ainda mais pressão sobre o governo, que vive uma grave crise política em meio a pior recessão econômica em décadas.