08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A retórica da maldade

Daniel Areal
| Tempo de leitura: 3 min


Em artigo recente, publicado neste conceituado veículo, na coluna opinião (16/03/2016, pág. 2), intitulado “A Vergonha Européia”, de autoria do sr. Carlos D’Icao, no qual destila todo o seu ódio contra a Europa, venho com esta missiva discordar. Pergunto ao professor:  a guerra na Síria, país de origem da maioria dos imigrantes que chegam ao continente europeu, começou com uma bomba lançada por algum país Europeu?

Não, caro professor. Ela começou em março de 2011, com a intolerância do ditador sírio Bashar Al-Assad (o pai dele chegou ao poder na década de 70 com a ajuda da Rússia, que em troca instalou uma base militar na região, a única fora da Rússia), contra a manifestação pacífica da população local da cidade síria chamada Deraa, que protestava contra a detenção de uma dezena de alunos de uma escola local. Estes alunos foram presos porque defendiam a queda do regime. A manifestação exigia pacificamente, repita-se, a libertação dos jovens presos e além disso um regime democrático na Síria, com mais direitos e liberdades para a população, influenciados pela Primavera Árabe. O ditador Al-Assad não gostou e mandou passar fogo nos manifestantes, matando quatro pessoas. Desde então, a guerra civil naquele país já matou mais de 230 mil pessoas, estima-se.

    

Diante disso, então responda, professor: o que a Europa tem de culpada na origem desta guerra, a ponto de o senhor afirmar que “mulheres, crianças, idosos e homens foram ceifados de suas nações pelas guerras promovidas pela própria Europa”? E como consequência com a fuga em massa da população síria, apavorada com a violência, seja por parte do Estado Islâmico, seja majoritariamente por parte do ditador Bashar Al-Asad?

Não seja covarde e malvado ao carregar nas tintas o seu ódio contra a Europa, o senhor deve ser exemplo para os seus alunos e ter cuidado com que escreve para não incitar o ódio e a intolerância, sem ao mínimo saber a verdade que se passa numa das regiões mais complexas do planeta. Por que colocar na conta das nações europeias e de seus governantes “desastres humanitários” como o senhor diz, provocados contra os imigrantes? Ou o senhor pensa que será fácil proporcionar bem-estar para milhares de imigrantes?

Além do mais, caro professor, por que a comunidade árabe, os governantes dos países árabes não põem fim a esta destruição da Síria? Por que estes mesmos governantes não assumem a responsabilidade nesta história a ponto de resolver este conflito? Por que a Europa deve assumir a responsabilidade em alocar estas pessoas e lhes garantir trabalho, casa e alimentação? Haverá recursos para isso?

A imigração é uma nova invasão árabe na europa, disposta a acabar com a tradição, a cultura e tudo que os europeus construíram com trabalho e muito esforço de unificação e integração  e que não vão entregar de mão beijada não. Infâmia é querer mascarar com discurso de coitadinhos uma ação deliberada de invasão. Infâmia e jogar sobre os ombros da Europa e não fazer uma crítica sequer aos ditadores arábes, terroristas do EI, estes sim responsáveis por esta verdadeira calamidade humanitária contra estes imigrantes. Todo o resto, professor, é pura retórica comunista.