Nunca antes na história desse País... Pois é: estamos vendo o futuro ser construído diante dos nossos olhos. Digo “futuro” porque, dessa confusão toda, terá de sair um firme desfecho – e rápido. A paralisia já foi além de qualquer nível aceitável. O Brasil precisa voltar a se movimentar. Mas... para que lado? Nas mãos de quem?
Com o povo nas ruas, cada qual com seu grito de ordem e bandeiras para defender, fica evidente que não se pode cair em simplismos reducionistas. Nem toda militância vermelha é sindical; nem todo azul e amarelo é democrático. O Fla-Flu das ruas não deve, contudo, virar briga de pedra e pau. Vamos baixar a bola, pessoal.
Se as ruas desejam mostrar maturidade, e tem sido assim, que se preserve o jogo jogado, que não se entre em guerra medieval. O desfecho... Será dolorido para o lado perdedor. Mas muito dolorido. Porque vai gerar ou a ruína de certas militâncias contundentes ou a implacável desesperança para quem desejava mudança já. Porém, como numa frase de efeito filme antigo, “não podemos fugir do nosso destino”. Não lembro qual o filme, mas interessa hoje a vida real.
Fla-Flu: neste domingo teremos o segundo embate entre Flamengo e Fluminense no Pacaembu – o primeiro no estádio paulistano foi em 1942 e terminou em empate sem gols. A disputa, válida pelo Campeonato Carioca, ocorre fora da cidade Maravilhosa porque Maracanã e Engenhão estão sob transitório comando da organização das Olimpíadas.
Vejo que Pacaembu significa, em tupi-guarani, algo como “atoleiro”. E de onde o combalido futebol brasileiro, marcado por corrupção, necessita sair. É de onde o País, mergulhado em jogatina política disputada na lama, precisa emergir.
É missão dos que são de bem não deixar que o duelo entre vozes discordantes termine em jogo perdido. É da livre divergência que devemos arejar o ambiente e, se possível, dar show de bola e festejar no final. É, enfim, como numa semifinal de algum torneio importante: empate é desastre. Só a vitória interessa ao Brasil.
O autor é editor executivo do JC