| Malavolta Jr. |
| Escavações para acomodar reatores e tanques de areação, no tratamento secundário de esgoto, foram tomadas por acúmulo de água |
A obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Distrito Industrial 1 não avançará em condições do equipamento entrar em operação em 2016, ainda que apenas com um de seus quatro módulos. O acúmulo de chuvas do final do ano até agora, somados ao atraso na execução do cronograma desde a instalação do canteiro central e na definição dos repasses pelo governo federal, impedem que o atual governo municipal inicie o funcionamento da ETE.
O próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) descarta a conclusão ao menos do primeiro módulo de tratamento de esgoto no estágio secundário – que permitiria a separação de areia e lixo (tratamento primário) e atuação dos reatores (Uasb) no processo. “A obra da ETE não parou, mas ficou bem lenta em função do longo período de chuvas. Foram concluídos os serviços de terraplanagem, a empresa contratada fez as fundações, abriu os buracos para os tanques aerados e a parte dos reatores, mas a chuva alagou tudo. E com chuva a obra não avança”, avaliou em visita às obras, esta semana.
Segundo o setor do Gabinete que monitora o cumprimento da obra em função dos pedidos de repasse à Caixa Federal, coordenado por Sílvia de Deus, a obra atingiu a 9ª medição. O total acumulado de serviços é de R$ 5..536.577,24. Conforme a Prefeitura, estão concluídos os serviços de terraplanagem e alambrado.
“Estão em andamento os serviços de plantio de grama nos taludes, rede de drenagem de águas pluviais, estrutura da Estação Elevatória de Esgoto Bruto, escavação dos canais do gradeamento do tratamento preliminar, escavação dos Reatores Uasb e tanques de aeração, arrasamento das estacas do decantador lamelar (tratamento terciário) e alvenaria dos edifícios de apoio (administração, almoxarifado, auditório e portaria).
Mas a obra emperra em sua parte central, a conclusão dos ‘buracos’ destinados a receber os reatores Uasb e tanques de areação. “A escavação dos locais foram feitas. Mas inundou tudo com a chuva. E a água aflorou. Instalaram drenos, mas não resolveu e continua a chover. Sem resolver isso, não tem como concluir essa etapa e instalar os equipamentos que permitiriam avançar na estrutura do tratamento secundário de esgoto”, comenta Agostinho.
Na última sexta-feira, engenheiros da Com Engenharia (responsável pela obra), da empresa fiscalizadora e gestora da obra e da Prefeitura tiveram reunião para avaliar sobre a eliminação do alagamento dos locais escavados. São buracos de 150 m de comprimento por 30 m de largura para acomodar os tanques aerados e, próximos, outros de 75 m x 30 m onde serão instalados os reatores.
“A empresa vai apresentar proposta de rebaixamento do aquífero para que a água que está acumulada nesses tanques naturais não continue aflorando. Sem eliminar o afloramento não tem como continuar a obra nesse ponto e ela é o meio do processo de tratamento”, argumentou Rodrigo, ao lado de engenheiros da Prefeitura e da contratada.
O encarregado da obra física na ETE, Cícero Alves de Souza, de Urussuí (Piauí), chegou há dois dias no canteiro. “Estamos atacando outras frentes porque a chuva não dá trégua. Temos 15 funcionários trabalhando em duas outras frentes, as obras de alvenaria na primeira parte (tratamento primário) e no fim com o uso de máquinas para deixar pronto o tanque (preparação da área para receber o futuro filtro lamelar). Se a chuva parar esperamos secar as outras partes para ampliar as frentes”, comentou para o prefeito, durante a visita.
Do jeito que está o canteiro de obras, a ETE Vargem Limpa poderá ter condições de receber a instalação completa para o tratamento primário, observa Agostinho. “Acho que dá para entregar a primeira etapa, o tratamento simplificado, que permite separar areia, tirar lixo e fazer o gradeamento do esgoto bruto. Nos demais locais, mesmo que a obra avance tem de esperar o tempo de cura do concreto em grandes estruturas, para que a ETE não corra riscos na operação depois”, anuncia o prefeito.
Prefeito quer rediscutir o uso de recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou, durante visita às obras da ETE do Distrito Industrial, que vai rediscutir a forma de utilização de recursos vinculados que hoje alimentam o caixa de mais de R$ 100 milhões do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).
Mas, como não há espaço institucional e junto a opinião pública para utilização do que já está no caixa do atual fundo, Agostinho contou que estuda a reformatação da destinação das futuras receitas.
“O que tem em caixa hoje também não defendo mexer e o Ministério Público já adiantou que esse dinheiro foi criado em lei com finalidade específica e tem de ser destinado para o programa de esgoto. Mas o que há em caixa cobre os contratos. O que eu quero discutir é a repartição das receitas daqui pra frente. Não tem mais necessidade que todo esse recurso também fique só no fundo de esgoto”, anunciou.
Na ponta do lápis, a conta de Rodrigo bate. O fundo dispõe de saldo de R$ 120 milhões e, mesmo com medições de serviços de interceptores e contrapartidas da obra da ETE em andamento, arrecada pelo menos R$ 32 milhões por ano. A obra integral da ETE foi contratada a R$ 129 milhões.
Nesse raciocínio, Agostinho quer discutir repartição das receitas a partir de agora, pelo menos até a conclusão integral da obra. “O fundo de tratamento vai continuar existindo, até porque será necessário para custear a operação da ETE pronta. Mas o DAE precisa de recurso para investimento em reservação, abastecimento. E repartir um percentual desse total excedente futuro em cima da mesma fórmula atual de pagamento é viável. Vou discutir isso com a Promotoria, amadurecer com vereadores, a sociedade”, disse.
O promotor Libório Nascimento, um dos que receberam diretores do DAE para falar sobre o tema, disse que o “tema é polêmico, espinhoso, porque envolve garantir a conclusão e pagamento da principal obra da cidade, em saneamento, esperada há anos, o que é prioritário. Mas estamos abertos ao diálogo com o Executivo para essas questões”.