09 de julho de 2026
Política

Protestos irão para bairros

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Movimento “Vem para Rua” contra corrupção no país promoveu manifestação em frente à PF

Desta vez o sol forte espantou boa parte dos que haviam aderido à manifestação do grupo “Vem para Rua” contra a corrupção no país e em apoio ao juiz Sergio Moro durante a semana. O público acabou sendo menor do que o esperado pelos organizadores.

E mesmo quem esteve ontem à frente da Polícia Federal, na avenida Getúlio Alves, cerca de 200 pessoas, também ficou disperso em pequenos grupos, se acomodando embaixo da sombra das árvores do local.

Muitas crianças também acompanharam os pais nas reivindicações levando cartazes e durante mais de uma hora após o Hino Nacional, agitando bandeiras, aplaudiam e gritavam palavras de ordem a cada revelação dos organizadores que estavam em cima de carro de som. Como quando foi revelada pesquisa que dá 68% de rejeição ao atual governo da presidente Dilma Rousseff e apoio para o impeachment (segundo pesquisa do Datafolha divulgada ontem). “A gente escolhe, a gente põe, mas a gente pode tirar”, muitos falavam.

Bairros
Considerando que o ato não é contra o Partidos dos Trabalhadores (PT) da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, e sim uma manifestação contra a corrupção que está generalizada e de apoio ao juiz Sérgio Moro, de Curitiba que teve levar adiante a Operação Lava Jato, os organizadores querem também descentralizar as manifestações que estão sendo todas deflagradas na avenida Getúlio Vargas, zona nobre da cidade.

Eles vão discutir esta semana onde começarão a convocar manifestantes. O argumento dos organizadores é que ir para bairros como Falcão, Mary Dota e várias outras regiões tradicionais, vai mostrar também que ali há um grande descontentamento com o que acontece com o país. É preciso uma mudança, para eles. Mas não estão descartadas novas manifestações na Getúlio Vargas, até que se façam mudanças.


Mudanças
Milton Daher, administrador de empresas, é um dos que defende mudanças na condução política do país. “Quero mudanças já, nosso país não pode ficar refém da corrupção. Precisamos de quem pense em segurança, em educação. Não podemos nos dispersar, temos que continuar protestando até que encontremos gente pensando realmente na necessidade do povo e não em outros interesses. Há muita gente neste país passando necessidade. É preciso que os políticos que aí estão saibam que a gente põe, mas também os tira”.


Pelo fim do foro privilegiado

O ponto alto da manifestação desta vez foi uma proposta concreta: a do geneticista Esiquiel de Miranda que, usando o caminhão de som dos manifestantes sugeriu que a OAB estude uma forma de entrar com um processo contra o chamado foro privilegiado de políticos e altos cargos da nação. “Atualmente 32 mil pessoas do país têm essa prerrogativa que os diferencia dos demais cidadãos brasileiros. Se Bauru liderar um abaixo-assinado, com poder de chegar ao Congresso e Senado já teremos dado um grande passo” defendeu o bauruense.  Foi muito aplaudido.

Para o Jornal da Cidade, ele disse que além dessa proposta (que deve ter forma de moção para virar projeto de lei posteriormente)  deseja ainda verificar a viabilidade de encabeçar um abaixo-assinado para que a Operação Lava Jato seja “permanente”.