Cada participante das passeatas no domingo, dia 13 de março, teve uma reação ao ser anunciada a designação do senhor Lulla da Silva para ocupar um ministério. Minha filha decidiu buscar sua cidadania europeia e sair do Brasil. Uma amiga vai viver na Inglaterra com suas duas filhas. Isso mostra a desilusão de duas pessoas. O país do futuro está sem futuro, então os jovens correm atrás dele em outras paragens. Alguns dizem que sou passional na defesa de meus princípios. Talvez seja sim. Mas, embora tenha trabalhado muito pela vitória de Aécio Neves, quando anunciaram sua possível participação em grupos que receberam propina durante seu governo, em Minas Gerais, eu pensei: que seja processado e inocentado, mas se culpado que vá para a cadeia! Diferente daqueles que olham para seus ídolos com pés de barro, como se fossem santos!
Não pretendia manifestar-me sobre os últimos acontecimentos, pois considerei um acinte a postura da presidente, ao não ouvir as vozes da rua. Ali estava a oposição, os desempregados, os que votaram no PT e estão desiludidos, mas também aqueles que são neutros em relação a tudo, menos a situação escandalosa vivida pelo país. Porém a indicação de Lulla da Silva foi a gota d’água, como um tapa na cara do povo, mesmo que com isso a palavra culpado tenha se estampado em sua cara. Quem não deve não teme, não é?
Isso não consola o brasileiro de boa fé. Porém, alguns juristas e principalmente Leonardo Sarmento alertaram para o fato dessa nomeação não ter validade, ser um ato nulo. O que seria um ato nulo? Para o constitucionalista “a lei 4.717, de 1965, afirma que é nulo o ato administrativo praticado com desvio de finalidade...” Qual o objetivo da referida indicação? Retirar a jararaca das mãos limpas do juiz Sergio Moro, medo das delações premiadas dos empreiteiros e da prisão preventiva. Na ocasião, o ex-presidente se autodenominou jararaca, quando obrigado a prestar declarações. Ele esbravejou e reagiu preparando o bote assim como a cobra venenosa faz quando em perigo.
Nada que o governo declare sobre o escolhido desviará a atenção da população sobre a questão do foro privilegiado, algo imoral, pois o homem foi denunciado por diversos crimes, então a finalidade é óbvia: tentar salvar a pele do ex-presidente e livrá-lo da prisão. Essa ideia de ministério apareceu depois da condução coercitiva da jararaca ao aeroporto de Congonhas para interrogatório. Portanto, a escolha não tem interesse público. O povo está reagindo pacificamente de diferentes maneiras.
Dizem que a história se repete sempre. No caso brasileiro a data 13 de março é emblemática lembrando o famoso comício de João Goulart. Quem não se lembra do clima tenso daquele ano? Dezoito dias depois o presidente foi deposto. Domingo passado, dia 13 de março, brasileiros de bem foram às ruas. O palácio do Planalto não ouviu o recado: queremos os petistas fora do poder. Simples assim. Surda e esbravejando para todo lado a senhora Dilma nomeou Lulla. De manhã ministro, mas até quando? E como perguntar não ofende: por quanto tempo ela resistirá? Serão os fatídicos dezoito dias?
A autora é doutora em Estética e História da Arte