| Quioshi Goto |
| O encanador do DAE José Amadeu Cardoso de Oliveira se vestiu de palhaço em protesto na Câmara |
Após várias negociações desde a última quarta-feira (16), a Emdurb e os servidores municipais vinculados à empresa firmaram acordo de reajuste salarial, nessa segunda-feira (21). Sem que a coleta de lixo fosse paralisada um dia sequer, os trabalhadores obtiveram aumento de 3,5%, elevação do vale-compra de R$ 310,00 para R$ 390,00 e abono de R$ 70,00, que será incorporado aos salários a partir de outubro.
Os reajustes serão retroativos a 1.º de março, conforme a reportagem apurou. A Emdurb possui autonomia para negociar proposta diferenciada junto aos trabalhadores e, por este motivo, teve condições de oferecer uma proposta satisfatória para a categoria.
Na administração direta e no DAE, contudo, a situação é diferente. Depois de realizarem protesto em frente ao Palácio das Cerejeiras, os servidores em greve seguiram em direção à Câmara Municipal, na tarde dessa segunda, para pedir a intervenção dos vereadores nas negociações.
Na sexta-feira, após deliberação em assembleia, o Sinserm protocolou uma contraproposta de reajuste salarial de 10,84%, referente à reposição da inflação no último ano. Além do não desconto ou reposição dos dias parados, os servidores também pedem aumento do vale-compra para R$ 400,00 e do abono que substituiu o vale-refeição de R$ 300,00 para R$ 350,00, estendendo o benefício a todos os demais trabalhadores.
“Fomos mais uma vez até o Palácio das Cerejeiras para pedir que o prefeito Rodrigo Agostinho nos recebesse, mas isso não ocorreu. Então, pedimos ajuda aos vereadores. Estamos no sexto dia de greve (segunda-21) e não temos perspectivas de firmar um acordo”, pontua um dos diretores do sindicato, Moisés Cristo.
Perdeu força?
A mobilização surtiu efeito e, com a sessão legislativa suspensa, os parlamentares conseguiram viabilizar uma reunião com servidores e diretores do Sinserm, às 10h desta terça-feira (22), no gabinete do prefeito. Segundo Cristo, nem mesmo com a conclusão das negociações na Emdurb, o movimento irá perder força.
“Pelo contrário. Agora, diante da resistência do prefeito em negociar, acredito que o descontentamento possa se intensificar”, pontua. Nessa segunda, de fato, a paralisação ganhou novas adesões de trabalhadores descontentes com a oferta de reajuste salarial de 3,5% e aumento do vale-compra para R$ 342,00, feita pelo governo.
Segundo o a prefeitura, o número de grevistas subiu de 578 para 649 pessoas Já o sindicato registrou aumento de cerca de 900 para 1.000 trabalhadores parados. Os principais segmentos mobilizados são, pela ordem, Educação, Saúde, DAE e Obras.
Desde o início da greve, o prefeito aponta que não há mais como avançar em relação às cláusulas econômicas, já que, até o momento, o aumento de receita do município mantém-se em torno de 3,3% em comparação ao ano passado. Além disso, argumenta que já gasta 51,24% da Receita Corrente Líquida com folha de pagamento, sendo que a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece o limite prudencial de 51,30%.
Protestos interromperam sessão e viabilizaram reunião com Rodrigo
A manifestação de dezenas de servidores dentro e fora da Câmara Municipal, no início da tarde dessa segunda-feira (21), levou à interrupção da sessão legislativa. Para tentar conter os ânimos dos trabalhadores, o presidente Faria Neto (PMDB) sugeriu a formação de uma comissão que se reuniu com os demais parlamentares.
Enquanto os funcionários expunham suas reivindicações e lamentavam o fato de o prefeito não recebe-los para negociar, o vereador Carlão do Gás (PMDB) telefonou a Rodrigo Agostinho e conseguiu agendar a reunião para esta manhã.
Os parlamentares permitiram ainda que a professora grevista Iara Costa utilizasse a tribuna da Câmara para explicar à população as motivações do movimento. Muito aplaudida pelos companheiros, ela pediu o apoio da sociedade, pediu desculpas por eventuais transtornos em consequência à paralisação de alguns serviços e pontuou que, mesmo não sobrando dinheiro para que o governo municipal conceda à reposição salarial aos trabalhadores, a cidade continua cheia de buracos, há escolas com goteiras e falta água nos bairros. “Para onde está indo o dinheiro?”, questionou.
O discurso de Iara se deu antes da retomada formal da sessão, mas foi transmitido pela Rádio e pela TV Câmara. Após o retorno da sessão, todos os vereadores que subiram à tribuna demonstraram apoio à reivindicação dos servidores municipais. A expectativa é de que a maioria deles acompanhe a reunião de hoje com o prefeito.
Após o agendamento do encontro, o diretor do Sinserm Waldecir Rosa declarou esperar alguma contraproposta por parte do Palácio das Cerejeiras nesta terça-feira (22). Ele afirmou ainda que a adesão à greve não é maior porque há trabalhadores sendo intimidados e ameaçados por seus superiores.
‘EM LUTO’
| Malavolta Jr. |
Impedidos por liminar de aderirem à greve dos servidores municipais, profissionais do Samu estão trabalhando com fita preta presa aos uniformes como forma de protesto.
“O direito de greve, que é um direito de todo trabalhador, não está sendo respeitado”, reclama o técnico de enfermagem Benedito Garcia.
Conforme o JC noticiou, a Justiça de Bauru determinou a manutenção de 100% dos serviços inadiáveis (pronto atendimento em saúde - em que o Samu está incluído - e transporte de pacientes) e 70% dos serviços essenciais (tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos e alimentos, captação e tratamento de lixo e esgoto) durante a paralisação.
Em caso de descumprimento, o Sinserm fica sujeito à multa diária de R$ 5 mil. O sindicato informou que já recorreu da decisão.