10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dólar à vista cai 0,59% com cenário político e leilão do BC

Por Paula Dias | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 4 min

O dólar retomou a trajetória queda nesta terça-feira, 22, com os investidores dividindo as atenções entre o cenário político e os passos do Banco Central na política cambial. A deflagração de uma nova fase da Operação Lava Jato, o segundo leilão de swaps reversos e decisões desfavoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva no STF estiveram entre as principais notícias do dia. A moeda americana terminou o dia em baixa de 0,59%, cotada a R$ 3,5948 no mercado à vista.

O dólar chegou a subir até R$ 3,6521 (+0,99%) pela manhã, com os investidores à espera do leilão de contratos de swap reverso do Banco Central. A operação, que equivale à compra de dólares e venda de taxa de juros pelo Banco Central, consistiu na oferta de 14.500 contratos. Foram vendidos 10.000 contratos, ou 69% da oferta. Na véspera, o BC havia vendido 27,5% da oferta de 20 mil contratos.

A colocação parcial dos contratos de swap reverso fez o dólar perder fôlego e a cotação virou para o negativo pouco depois, com o mercado voltando as atenções novamente ao cenário político A percepção de enfraquecimento do governo Dilma Rousseff predominou e a cotação chegou à mínima de R$ 3,5757 (-1,12%), pouco antes das 14 horas.

No início da tarde, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o seguimento em ação ajuizada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suspender parte da decisão do ministro Gilmar Mendes, na sexta-feira passada, que invalidou a posse de Lula como ministro da Casa Civil.

Weber considerou que não cabe habeas corpus questionando a decisão de ministro do Supremo. "Esta Corte já firmou jurisprudência no sentido de não caber habeas corpus contra ato de Ministro Relator", afirmou no despacho. Pela manhã, a Polícia Federal deflagrou a 26ª fase da Lava Jato, mas nenhum político foi preso ou levado a prestar depoimento.

Bovespa - Em um dia de negócios reduzidos, a Bovespa terminou a sessão desta terça-feira, 22, em baixa de 0,32%, aos 51.010,19 pontos, puxada pelo desempenho negativo de ações específicas, como as do setor financeiro. O volume de negócios totalizou R$ 6,782 bilhões.

O mercado de ações, a queda da Bovespa foi relacionada essencialmente ao desempenho individual de determinados papéis ou setores. As ações do setor financeiro, como Itaú Unibanco ON (-1,49%), Banco do Brasil ON (-1,45%) e Bradesco PN (-1,04%) passaram por ajustes motivados pela realização de lucros recentes e devido à indicação de venda feita por um banco estrangeiro.

Já as ações da Petrobras terminaram o dia em alta, apesar do prejuízo recorde de R$ 34,836 bilhões em 2015. O resultado foi 61% maior que a perda registrada em 2014, que havia ficado em R$ 21,587 bilhões. As ações abriram em queda, mas inverteram a tendência a partir de análises de que os próximos balanços da estatal podem ter números melhores. No final do dia, Petrobras ON subiu 2,24% e Petrobras PN avançou 0,62%.

O cenário político continuou no radar dos investidores, mas o noticiário não chegou a impactar significativamente os negócios com ações.

Taxas de juros - As taxas de juros negociadas no mercado futuro tiveram queda generalizada nesta terça-feira, influenciadas por fatores políticos e econômicos internos. A queda do dólar, o discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e as especulações sobre o cenário político favoreceram a redução dos prêmios, principalmente na ponta longa da curva. O cenário internacional, com ataques terroristas em Bruxelas, foi apenas monitorado.

Foram bem recebidas as declarações de Tombini, que, em audiência no Senado nesta terça-feira (22), fez um discurso em defesa do ajuste fiscal e da solidez do mercado financeiro. Além disso, Tombini afastou as especulações em torno de um afrouxamento da política monetária no curto prazo, embora tenha admitido que o processo de desaceleração da inflação deve ficar mais intenso a partir de março. "Mecanismos de indexação e incertezas quanto ao processo de recuperação de resultado fiscal não nos permitem trabalhar com flexibilização das condições monetárias", disse o presidente do BC.

Mas foi o cenário político o responsável pelas mínimas do dia, registradas à tarde, quando as especulações em torno da Operação Lava Jato e do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff se intensificaram.

No noticiário econômico, o destaque do dia foi a divulgação dos números de fevereiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo os dados, o Brasil fechou 104.582 vagas formais no mês passado, pior resultado para o mês desde 1992, quando começou a série histórica. O resultado foi muito inferior ao registrado em fevereiro do ano passado, quando foram fechadas 2.415 vagas pela série sem ajuste. O resultado também ficou abaixo do piso das expectativas das instituições ouvidas pelo AE Projeções, que era de 80.000 vagas.

Ao final dos negócios no horário regular na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2016 tinha taxa de 14,07%, a mesma do ajuste de ontem. O vencimento de janeiro de 2017 projetava 13,71%, ante 13,78%. O DI para janeiro de 2018 tinha taxa de 13,31%, ante 13,47% do ajuste de ontem. Na ponta mais longa da curva, o vencimento de janeiro de 2021 projetava 13,61%, de 13,86%.