09 de julho de 2026
Nacional

No Planalto, Dilma endurece discurso e movimentos falam em radicalizar

Por Tânia Monteiro e Carla Araújo | AE
| Tempo de leitura: 3 min

Reuters
Mesmo sem citar nomes, Dilma fez ataques ao juiz Sérgio Moro, ao ministro do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e à oposição.

Em uma cerimônia de quase três horas de duração no Palácio do Planalto com um grupo de juristas, a presidente Dilma Rousseff fez nesta terça-feira (22), o seu mais duro discurso contra o impeachment. Mesmo sem citar nomes, Dilma fez ataques ao juiz Sérgio Moro, ao ministro do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e à oposição.

O Palácio do Planalto reuniu representantes do meio jurídico "pela legalidade da democracia". Em clima de confronto, a presidente avisou que "não cometeu crime nenhum", que "não renuncia em hipótese alguma" e repetiu seis vezes a palavra "golpe" para se referir ao movimento pelo seu impedimento.

Segundo Dilma, "a arma do golpe" pode ser "um fuzil, uma vingança ou a vontade política de alguns de chegar mais rápido ao poder". Ela encerrou seu discurso entoando o coro repetido inúmeras vezes durante a cerimônia, dominada por uma plateia de apoio à petista: "Não vai ter golpe".

Em sua fala, a presidente Dilma afirmou esperar "ouvir o som do martelo da Justiça sendo batido por juízes, magistrados e ministros sensatos, serenos e imparciais". Numa referência a Moro, disse também que espera que "executores da Justiça" despertem o País para a "necessidade de que, combatendo a corrupção, tão necessária de ser combatida, sejam, ao mesmo tempo, respeitados os direitos fundamentais de todos os cidadãos". "Conquista civilizatória sim, como a presunção da inocência e o amplo direito de defesa", afirmou a presidente, para quem a democracia é "afrontada e ameaçada quando um encarregado de executar a Justiça opta por descumprir as leis e a Constituição".

Em outras referências ao juiz da Lava Jato, a presidente disse que "um executor da Justiça não pode assumir como meta condenar adversários ao invés de fazer Justiça". "Condenar adversários, ao invés de fazer justiça é mais do que um crime."

Manifestos

No ato, que reuniu pelo menos 300 pessoas, entre professores, juristas, estudantes de diretos, advogados, diplomatas, procuradores, a presidente recebeu 27 manifestos "a favor da democracia". Em apenas um deles, segundo o Planalto, constava 2 mil assinaturas. Moro também foi o alvo predileto dos discursos. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que "não são as Forças Armadas que estão pondo em risco a democracia e a legalidade", mas o Judiciário. "Ontem as Forças Armadas. Hoje, a toga supostamente imparcial e democrática", declarou Dino.
O jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, anunciado, não estava presente. No ano passado, Dilma já havia recebido um grupo menor de juristas que eram contra o impeachment. Após a divulgação de conversas telefônicas entre ela e o ex-presidente Lula, Dilma resolveu abrir o evento à imprensa.

'Golpe'

O governo está em uma ofensiva, em inúmeras frentes para "salvar seu mandato" e unificou o discurso de que "está em um curso no Brasil um golpe com capa de legalidade", conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, réu e investigado pela operação Lava Jato. O Planalto alega ainda que a denúncia no processo de seu afastamento, com base nas pedaladas fiscais, é "inaceitável" e "totalmente desprovido de fundamentação".

No evento desta terça, Cardozo fez também um inflamado discurso contra o que chamou de tentativa de golpe. Após sua fala, os presentes gritaram "não passarão".