11 de julho de 2026
Política

Moradores buscam doação de áreas para duplicar a Affonso José Aiello

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Rodrigo Agostinho declarou como de utilidade pública 43 lotes que margeiam a avenida Affonso José Aiello, no trecho que liga a Getúlio Vargas até a portaria do Villagio 1. A medida era cobrada desde julho do ano passado por um grupo de moradores da região que reivindica a duplicação da via, cenário de congestionamentos diários e recorrentes acidentes. Agora, com o decreto no Diário Oficial, o comitê organizado em prol da obra se mobilizará para tentar convencer os proprietários a doar seus terrenos ao município.

Em condições normais, a declaração de utilidade pública seria o primeiro passo para que a prefeitura desapropriasse esses lotes, que totalizam quase 7 mil metros quadrados. A administração, contudo, não tem dinheiro para indenizar os donos das áreas.

“Estamos em meio a uma crise. Faltam recursos nos cofres municipais e, mesmo que houvesse, nossa prioridade seria investir nas demandas de regiões mais periféricas da cidade”, pontua Rodrigo.

Diante disso, os moradores do Comitê Pró-Duplicação da Avenida Affonso José Aiello enxergam como única alternativa para viabilizar a obra o convencimento dos proprietários acerca da doação de seus terrenos. Para o prefeito, esta saída pode ser concretizada, já que os donos dessas áreas teriam suas propriedades valorizadas após a duplicação da avenida.

“Já que o município não tem dinheiro, vamos nós fazer esse trabalho para buscar a adesão dos proprietários ao longo dessa rua, para que possamos transformá-la numa avenida de fato, que nos garanta segurança. Precisávamos desse decreto para dar início à nossa mobilização e ele saiu depois de muito trabalho e pressão na Secretaria de Planejamento, no Jurídico, com vereadores”, conta um dos integrantes do comitê, Martin Santiago.

Ele pontua que o grupo representa quase 3.500 contribuintes que moram ou possuem lotes na região, que abrange os residenciais Le Ville, Ilha de Capri, Villagio 1, 2 e 3, Spazio Verde, Cidade Jardim, Alphaville, Ilhas do Meidterrâneo, Porto Fino, e reúne ainda representantes de empresas instaladas ao redor.

CONTRAPARTIDAS

O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que o custo para as eventuais desapropriações das áreas que margeiam a Affonso José Aielo é maior que o da obra da avenida. Segundo ele, caso os moradores da região conquistem êxito na doação desses lotes, a duplicação poderá ser executada por empresas responsáveis por empreendimentos que estão sendo aprovados na região.

“A prefeitura pode exigir a obra como contrapartida. Um trecho dela, aliás, já vai sair dessa forma”, adianta Rodrigo.

Reivindicação antiga

Em julho do ano passado, o grupo de moradores da região que começava a se organizar no atual comitê se reuniu com o prefeito e com vereadores, no Palácio das Cerejeiras para expor a relevância da duplicação da Affonso José Aiello.

“Não tem mais um horário de pico. O movimento intenso e o perigo estão presentes durante todo o dia”, observou Henrique Trecenti, morador do Villaggio 2. Ele pontuou que, por conta do grande número de obras em andamento nas redondezas, é muito grande o fluxo de caminhões pela via, que, apesar do nome de avenida, não passa de uma rua estreita.

Anselmo Mozer, morador do Villaggio 3, lembrou que a luta da população da região começou em 2003 e que, em 2011, foi protocolado abaixo-assinado com mais de 2 mil adesões, reivindicando a duplicação da Affonso José Aiello.