08 de julho de 2026
Geral

Negociação não vinga e greve dos servidores é mantida

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Em reunião, prefeito manteve proposta de reajuste de 3,5% e vale-compra de R$ 342,00

Foi com frustração que os servidores municipais em greve deixaram o Palácio das Cerejeiras, em Bauru, na manhã dessa terça-feira (22). Depois de forçarem uma reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho, receberam do chefe do Executivo a negativa de uma nova proposta salarial para a categoria. Com isso, a paralisação dos trabalhadores da administração direta e do DAE, que completa oito dias, nesta quarta-feira (23), segue sem data para terminar.

Durante o encontro, que contou com a presença de representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm), funcionários públicos e vereadores, Rodrigo reiterou que não há recursos financeiros disponíveis para atender as reivindicações dos trabalhadores.

Na última sexta-feira (18), uma comissão havia apresentado contraproposta pedindo reajuste salarial de 10,84%, referente à reposição da inflação no último ano, aumento do vale-compra de R$ 310,00 para R$ 400,00 e do abono que substituiu o vale-refeição de R$ 300,00 para R$ 350,00.

O governo, contudo, manteve a oferta de reajuste de 3,5% e vale-compra de R$ 342,00, o que, segundo Rodrigo, já representaria um impacto de R$ 11 milhões, ou 3,82%, no orçamento. “Este índice já é maior do que a previsão de aumento na arrecadação. Não tenho como oferecer mais. Não vou quebrar o município e, no fim do ano, correr o risco de não ter dinheiro para pagar os servidores. Prefiro sofrer este desgaste agora”, pontua.

Restrições

De acordo com o prefeito, até o momento, a expectativa de crescimento da receita é de 3,57% em 2016, em comparação ao ano passado. Além disso, ele argumenta que já gasta 51,24% da Receita Corrente Líquida com folha de pagamento, sendo que a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece o limite prudencial de 51,30%.

Mesmo diante da postura rígida do governo, o movimento grevista promete não recuar, conforme informou Célia Cristina Paulino, uma das diretoras do Sinserm. “Hoje (essa terça-22), fizemos uma carreata para encorajar os servidores que ainda estão em dúvida sobre aderir à greve. Não somos obrigados a aceitar uma proposta tão rebaixada. Não repor minimamente a inflação é diminuir o salário do trabalhador. É algo muito injusto com a categoria”, considera.

Nessa terça (22), segundo dados da prefeitura, o número de grevistas subiu de 649 para 722 pessoas. Já o sindicato afirma que a adesão se manteve em 1.000 servidores. Atualmente, o funcionalismo público de Bauru soma cerca de 7,5 mil trabalhadores da administração direta e indireta.

Recurso

O Sinserm ainda aguarda decisão da Justiça sobre o recurso impetrado pela entidade para tentar suspender os efeitos da liminar que garantiu a manutenção de 100% dos serviços considerados essenciais durante a greve, entre eles o atendimento de urgência e emergência em saúde e transporte de pacientes.

Conforme o JC noticiou, a medida cautelar, concedida pela juíza da 1.ª Vara da Fazenda Pública, Elaine Cristina Storino Leoni, já no primeiro dia de paralisação, também determina a garantia de 70% dos serviços essenciais, como tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, distribuição de medicamentos e alimentos, captação e tratamento de lixo e esgoto. Em caso de descumprimento, o Sinserm fica sujeito à multa diária de R$ 5 mil.