| Douglas Reis |
| Nessa quarta (23), grevistas voltaram a se manifestar em frente à Câmara |
Sem avanços nas negociações, a greve dos servidores municipais completou oito dias, nessa quarta-feira (23), com prejuízo significativo para o atendimento das escolas de ensino infantil. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, 47 das 64 unidades, incluindo as creches, estão com as atividades comprometidas parcialmente devido à ausência de funcionários em número suficiente para receber todos os alunos.
Em várias delas, como Emei Maria Helena Picolato Amantini, no Ouro Verde, e Emeiis Wilson Monteiro Bonato, no Jardim Europa, e Madre Teresa de Calcutá, no Bauru 22, pais com filhos no berçário vem sendo informados de que não devem levar as crianças à escola.
Nessa quarta-feira (23), de acordo com a prefeitura, a paralisação alcançou a adesão de 787 servidores, sendo que mais da metade está vinculada à Educação – o número (de 479 funcionários) equivale a 20% de toda a pasta. Já o sindicato afirma que os grevistas somam aproximadamente 1.000 pessoas.
Ainda de acordo com a secretaria, a greve também afeta algumas das 16 unidades do Ensino Fundamental do município. Destas, a única que está com aulas totalmente suspensas é a Maria Chaparro Costa, no Santa Edwirges.
Segundo a titular da Educação, Vera Casério, a ausência de merendeiras em algumas escolas de período integral também levou à suspensão da preparação do almoço para os alunos. “Nestes casos, as crianças voltam para casa para almoçar. Mas, para quem vai em um período só, estamos servindo merenda seca, como fruta, cereais, pão com manteiga, que não demandam preparo”, elenca.
A pasta também informa que tem feito remanejamentos para que o maior número de unidades de ensino integral tenham ao menos uma merendeira trabalhando. Como todos os motoristas e ajudantes gerais que realizam a distribuição de alimentos não-perecíveis estão em greve, a entrega dos produtos nas escolas vem sendo feita com a colaboração de outros funcionários.
Percentuais
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) aguarda decisão da Justiça sobre o recurso para tentar suspender a liminar que garantiu a manutenção de 100% dos serviços considerados inadiáveis durante a greve, entre eles o atendimento de urgência e emergência em saúde. A medida também determina a garantia de 70% dos serviços essenciais. Em caso de descumprimento, o Sinserm fica sujeito à multa diária de R$ 5 mil.
“O sindicato não estimula os servidores a descumprirem os percentuais, mas também respeita o trabalhador e não o impedirá de exercer seu direito de greve. Até porque sabemos que, mesmo sem paralisação, a urgência e emergência não funciona 100%”, pondera Moisés Cristo, um dos diretores da entidade sindical.
Na manhã dessa quarta (23), a prefeitura registrou a ausência de sete servidores nas seis unidades de urgência e emergência da cidade.