08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Resposta a leitor

Rafael Arruda - servidor público
| Tempo de leitura: 3 min

Caro Rufino Junior, li sua coluna a respeito da greve dos servidores municipais. Gostaria de começar aqui dizendo que a greve é um direito constitucional e está a cima de qualquer crítica, pode apenas ser questionada se é de direito ou não.


Provavelmente o senhor não sabe, mas estes funcionários estão sem receber reajuste nos últimos três anos, e como o senhor mesmo expressou, tudo aumenta, mas os salários dos servidores municipais não, nem os reajustes inflacionários foram concedidos.


Quero pontuar também que todos estes, sem exceção, trabalham sem materiais devidos, com falta de equipamentos e muitas vezes em locais insalubres.


Não sei qual a formação do senhor, mas convido a me acompanhar em um dia de serviço, bem como outros servidores, e entender se o que recebemos é suficientemente razoável como pensam alguns dos que não conhecem essa realidade.


Quanto ao recolhimento do município, garanto que teve um aumento e bem provável inversamente desproporcional quando comparado ao que pedem estes servidores em greve, exceto os cargos comissionados que ninguém entende para que existem.

Não há dúvidas que hoje o município recolhe mais quando comparado aos últimos três anos. Provavelmente sua rua não tem buracos, sua casa não falta água e o senhor não questiona os problemas do município, bem como acredito tenha um convênio de saúde, aí fica fácil criticar a greve de servidores os quais não acompanha e nem sabe como vivem suas vidas profissionais e pessoais.


A crítica é livre, mas antes de formar uma opinião deveria coletar dados e acompanhar os fatos, o senhor fez isso?


A saúde não está um caos pela greve, o caos o qual refere existe pelo sucateamento da saúde pública municipal, e isto é mais uma responsabilidade da má gestão pública e não dos servidores.


Se os 30% dos servidores parassem, como de direito, aí sim veria o real valor destes trabalhadores, mas muitos não entram seja por medo de retalhação, o que é muito comum em nosso município.


Pontuo o antagonismo em seus dizeres ou seriam eles político partidário?  Reconhece faltar empregos e ainda diz que deveriam os funcionários preservar pelos seus, não entrando de greve, mas ao mesmo tempo diz que caso não  estejam contentes deveriam pedir demissão e arrumar outro!


Talvez concorde com a privatização da saúde, e assim ver cada vez mais profissionais sem seus direitos, como férias e décimo terceiro, mas  aí começaríamos uma outra discussão que não cabe aqui. Mas quando toco neste assunto lembro que na empresa que exerce a diretoria, talvez exista interesse na privatização não só da saúde municipal, mas de outros setores.


Por fim gostaria de pedir um emprego na firma em que exerce o cargo de diretor para os funcionários descontentes, pois lá deve se pagar muito bem e não deverá ter problemas de reajustes, e garanto que não existem funcionários menos queixosos e mais dedicados do que os servidores da saúde deste município, afinal são três anos sem reajustes mesmos os inflacionários e nunca houve uma paralização efetiva nem se ouve falar em corpo mole, pois na saúde trabalhamos em prol dos pacientes, mas também temos nossas despesas inclusive com o município.