Cantar é uma arte! Cantar bem envolve muitos aspectos desde afinação, potência, homogeneidade, intensidade, altura, dinâmica interpretativa, dicção, etc. Quando a serviço da música, a voz enriquece as sonoridades vocais tornando o canto expressivo. Para Luciana Pires, a voz é um instrumento musical onde todos os aspectos vocais estão em seu devido lugar. Sua inteligência musical e sua expressividade estão muito evoluídas. Quando Luciana canta, seu eu interior aparece lindamente, derramando uma cascata de emoções sobre os ouvintes.
No palco, Luciana nos presenteou com uma interpretação madura, onde corpo e voz se interligaram, comoveram, cativaram. Eu, que assisto às suas apresentações desde o início de sua carreira, pude notar uma evolução notável na sua apresentação no Sesc nesta semana. Isso demandou, com certeza, estudo, técnica vocal bem feita e muita observação. Luciana agora se aventura para zonas vocais altas, com segurança e comodidade.
Acompanhada por uma banda excelente, composta por Daniel Campos (baixo), Magrão Lopes (bateria) e Caio Santos (teclado), Luciana ganhou o apoio certo para mostrar a que veio, porque canta, mostrar seu talento grande, seu carisma pessoal e vocal. O repertório, bastante eclético, primou pelo bom gosto nas escolhas.
Sucessos de Frank Sinatra, Beyoncée, Amy Winehouse, Adele, Simonal, Tom Jobim, Ney Matogrosso agradaram a gregos e troianos e se revesaram na frente da platéia que lotou o Sesc. E o que comentar sobre as composições autorais de Luciana? São muito boas, com letras interessantes e melodias criativas. A música “Me ligou” ficou na minha memória.
Para cantar um repertório variado assim, Luciana se utilizou de timbres vocais especiais, modificando o volume, a intensidade, o colorido, mostrando que conhece bem os seus ressoadores, que conhece o brilho que cresce e decresce, colocando voluntariamente a dinâmica ideal a serviço da interpretação. O público não queria ir embora. Nem eu...
Simplesmente Luciana, com todas as letras em maiúsculo!