11 de julho de 2026
Geral

Professores que 'pedalam' pela educação ambiental no País têm bicicletas furtadas

Ana Borges
| Tempo de leitura: 3 min

Já foram mais de 1.200 quilômetros pedalados por quatro Estados brasileiros durante quase quatro meses. Passaram por Pará, Maranhão, Piauí e Ceará. O maior desafio de dois professores ciclistas que têm a educação ambiental como destino não são as distâncias a serem percorridas, mas sim como continuar esse projeto sem as bicicletas. O motivo é que Márcio Francisco Martins e Luiz Henrique Costa Arruda, respectivamente moradores de Bauru e São Carlos, foram vítimas de furto na madrugada de sexta-feira (2), em Fortaleza (CE). 

Reprodução Facebook
Os professores Márcio e Luiz, moradores respectivamente de Bauru e São Carlos, tiveram as bicicletas furtadas e estão "parados" em Fortaleza

“Hoje já era para estarmos saindo de Fortaleza com destino à Prainha do Canto Verde, última cidade do Ceará. Mas não temos como ir e até agora não temos dinheiro para comprar outras bicicletas. Para realizar o projeto abrimos mão dos nossos empregos e vendemos tudo o que tínhamos para custear os gastos com as viagens. Mas não tínhamos noção de que poderia ocorrer esse imprevisto”, contou o professor Márcio Francisco Martins, de Bauru.

Os dois professores de geografia e biologia, ambos com especialização na área ambiental, saíram pedalando no dia 10 de janeiro deste ano de Altamira, no Pará.  O objetivo era terminar o projeto em Florianópolis (SC), dia 12 de outubro, em uma escola infantil. 

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Os dois professores já pedalaram mais de 1.200 quilômetros e já visitaram 17 escolas públicas em quatro estados brasileiros 

Até o momento, eles já visitaram 17 escolas públicas, sendo uma delas, em uma comunidade indígena. Foram três anos planejando para realizar esse sonho e tiveram que vender os próprios carros e outros bens para conseguir o dinheiro e financiar o projeto. Para economizar e ter dinheiro para se sustentarem durante todo esse período, eles procuram se hospedar em casa da amigos ou em alojamentos de universidades. 

O objetivo é descobrir a percepção dos conhecimentos ambientais dos alunos de acordo com a cultura de cada região.  

“Nessa experiência, até o momento, conseguimos mapear que o Brasil é muito grande e tem muita diversidade de vegetação.  E, por conta de toda essa riqueza e abundância, os alunos não têm tanta preocupação e consciência ambiental, o que dá muito espaço para o desperdício e estamos tentando mudar isso. Os problemas com a crise hídrica por um lado foi benéfico, pois lançou um alerta sobre a necessidade de preservar nossos recursos naturais ”, pontua.

E é toda essa bagagem de conhecimento em diversas realidades que conseguem de forma itinerante pelas regiões do País, que os dois professores agora encontram energia para não desistir do sonho, apesar dos obstáculos inesperados. 

O projeto Desbikelando possui uma página no Facebook. E é através desse canal que eles atualizam os seguidores sobre os percursos. Agora, a ferramenta também está sendo utilizada na tentativa de buscar doações para comprar duas bicicletas e conseguir completar o percurso de 5.500 quilômetros.

Um vídeo foi postado na rede social para explicar o furto e já teve mais de 1,7 mil visualizações. "Temos que sensibilizar as pessoas para as questões ambientais. Esse é nosso objetivo, e esse furto não irá nos impedir", postaram os professores na fanpage.  

Reprodução Facebook
Essa foi uma das bicicletas furtadas; elas estavam com cadeados e mesmo assim foram levadas 

Sobre o projeto

O professor de geografia Márcio Francisco Martins se uniu ao amigo e professor de biologia Luiz Henrique Costa Arruda com o intuito de usar a bicicleta como forma de levar conscientização ambiental para escolas públicas em 15 Estados brasileiros. 

Eles acreditam que, através desse trajeto, será possível levar atividades lúdicas e orientações que poderão despertar novas formas de consciência ambiental nos mais diferentes perfis de alunos. 

Os professores visam também alertar para a necessidade de políticas públicas adequadas. que preservem a identidade regional e cultural das comunidades. Dessa forma, os professores esperam contribuir com o crescimento sustentável de todo o País.