09 de julho de 2026
Cultura

Peça: 'Uma pensão que nunca fecha e se diverte' em Bauru

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Luiz Miguel e Renata Lima, do elenco, o diretor Jonatas Soares, a teatróloga Dora Girelli e Talita Romão, da equipe de apoio e figuração falam sobre nova temporada de “Uma pensão muito louca”
Divulgação
Em 2015, Vini Molina e Pablo Lagatta contracenaram; agora, Vini é substituído por Gustavo Barreto

Prevenção ao uso de drogas, corrupção, violência, prostituição infantil... É difícil falar desse assuntos, principalmente com jovens, sem parecer chato. Por isso, a teatróloga Dora Girelli resolveu sair do óbvio e criar uma peça de teatro muito divertida. “Escrevi ‘do jeito que o diabo gosta’ para passar a mensagem que Deus quer. Não adianta sofisticar demais, é preciso falar em uma linguagem com a qual o público se identifique”.

Tanto deu certo que “Uma pensão muito louca” está em cartaz desde que foi escrita, em 1990, garantindo “casa cheia” e muitas risadas, até de quem conhece bem o texto. “Eu choro de rir, porque cada vez é diferente”, garante Dora.

Quem quiser conferir terá uma boa oportunidade na próxima sexta-feira (8), às 20h30, no Teatro Municipal de Bauru. O espetáculo abre a temporada de apresentações do Grupo de Teatro Educativo Abertura e comemora seus 30 anos de existência.

Entre épocas

A história se passa em um bordel ao estilo da década de 1930. Já o enredo e as falas são bem atuais. A trilha sonora tem das antigas às “músicas do momento”, conectando as épocas.

“A peça carrega o público junto com ela. Através do cenário e dos figurinos, das músicas e da interação com a plateia a pessoa deixa de ser um simples espectador e se sente dentro do espetáculo”, comenta o diretor do grupo, Jonatas Soares.

Para tanto, a peça reúne cerca de 50 pessoas entre o elenco do grupo, equipe de apoio e participações especiais, de dançarinas a cantores. E a cada ano traz alguma novidade, seja no elenco, nas referências da atualidade, nos shows dentro da peça ou nos improvisos. Assim, até quem já viu pode voltar ao teatro e se surpreender.

Para todos

Não por acaso o grupo, que acaba de completar 30 anos, recebeu o nome de “Abertura”. “Já tivemos portadores de deficiência, gagos, tímidos... É realmente aberto a todos, tanto para os que querem participar, a partir de 13 anos, quanto para o público que vai assistir”, afirma Dora, lembrando que o grupo reúne pessoas de diversas idades e profissões.

“Até porque, entre os principais objetivos estão quebrar preconceitos, aumentar a autoestima e mostrar que todo mundo é capaz”. Como não há curso, quem chega até o grupo logo encontra um lugar no palco ou nos bastidores, mas isso até não resistir e também entrar em cena.

“O maior aprendizado está no agir. Os mais experientes passam para os mais novos e é sempre enriquecedor. Temos pouca teoria e muita prática!”, avalia Jonatas. Outro diferencial é o caráter beneficente. A portaria das apresentações, sempre em valor bastante acessível, é destinada a entidades assistenciais, igrejas, projetos sociais...

“Ajudar as pessoas é muito gratificante e fazer teatro com a Dora é levar uma mensagem importante para o mundo. A gente sente que está somando um ao outro”, partilha Renata Lima, 34 anos, que integra o elenco. Além de “Uma pensão muito louca”, o grupo mantém em cartaz “O sonho não pode acabar” e “Noel... Quem nasce lá na Vila”.

Curiosidades

A peça está registrada na Biblioteca Nacional e na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais com o nome “O bordel ou damas da noite”.

“Senti preconceito por parte de algumas pessoas e acabei mudando”, lamenta Dora. A autora nunca esteve em um bordel, segundo ela, “por falta de oportunidade”. Quando o texto já estava pronto, conversou com um dona de bordel aposentada, que ficou impressionada pela semelhança com a realidade. O final do espetáculo foi mudado a pedido do público, que se “apaixonou” pelos personagens principais e queria um destino melhor para eles.

A peça tem duração de duas horas, Pablo Lagatta e Gustavo Barreto improvisam tanto que já chegou a 2h40. “É tão engraçado que ninguém vai embora antes do fim!”, comenta a teatróloga. Antes do palco, o grupo reza “Pai-Nosso” e diz o seguinte “grito de guerra”: “eu brilho, você brilha, nós brilhamos, junto, aqui, ali, em todo lugar! Grupo de Teatro Abertura!”. O grupo ensaia todo sábado, às 14h, no Bosque da Comunidade. 

Serviço

“Uma pensão muito louca”: dia 8 de abril, às 20h30, no Teatro Municipal de Bauru (av. Nações Unidas 8-9). Entrada: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Renda em prol da AELESAB – Programa de integração e assistência à criança e adolescente. Realização: Grupo de Teatro Abertura. Classificação: 10 anos. Informações: (14) 3879-3923 e 9 8118-0313 (Dora) e 9 8802-7923 (Jonatas).