| Fotos: Reprodução |
| Segundo a Polícia Civil, filmagens de câmera de segurança contradizem a versão apresentada pelo policial; imagens mostram carro parando em frente à empresa e continuando a fuga logo depois |
Um policial militar de 31 anos foi preso na noite da última terça-feira (5) em Bauru após atirar contra um carro durante perseguição policial. O fato ocorreu após o condutor do VW/Santana, um rapaz de 22 anos, que não era habilitado, fugir de uma blitz no bairro Quinta da Bela Olinda. Ele e uma adolescente de 17 anos foram atingidos pelo disparo, mas não correm risco de morte.
O soldado, que estava em uma moto, foi indiciado por lesão corporal grave. Na tarde dessa quarta-feira (6), segundo a PM, ele foi solto após alvará concedido pela Justiça de Bauru. Dois inquéritos sobre o caso foram instaurados, um transcorre pela Polícia Civil, que elaborou o flagrante por lesão corporal, e o outro pela Polícia Militar, que ainda apura as circunstâncias e as responsabilidades do policial sobre o ocorrido.
A perseguição
Segundo boletim de ocorrência (BO) registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ), era por volta das 18h15 quando o motorista do Santana preto, que seguia com a adolescente e mais um rapaz de 18 anos, fugiu da blitz.
Na ocasião, o policial de 31 anos estava com a moto ligada e foi o primeiro a acompanhar o veículo em fuga, que percorreu várias ruas de bairros, como a Vila São Paulo, o Núcleo Gasparini e Pousada da Esperança, além do Quinta da Bela Olinda.
Até que o carro parou na frente do portão de um barracão existente na marginal da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na altura do quilômetro 346, no Jardim TV. Local em que o condutor do veículo trabalharia como vigia.
Segundo a versão do policial no BO, ele teria descido para efetuar a abordagem, mas o “pezinho” da moto não aguentou e ela acabou caindo. Na sequência, ele diz que levantava a moto, quando notou que o condutor do carro dava ré em sua direção e sacou a arma, que, ainda em sua cintura, acabou disparando em direção à traseira do veículo.
A ação foi acompanhada de fora do carro pelo rapaz de 18 anos, que desceu durante a parada para tentar abrir o portão da empresa. Após a ré, o condutor seguiu adiante na fuga, inclusive por ruas de terra, com a adolescente no banco de trás.
O rapaz só teria parado o carro ao atingir a quadra 1 da rua Miguel Débia, no Pousada da Esperança, quando percebeu que sua perna direita estava debilitada em virtude do tiro que, atravessou a lataria do carro, atingiu o dedo da adolescente e se alojou na nádega dele.
Eles desceram do carro e, após a abordagem, foram socorridos ao Pronto-Socorro Central (PSC).
O carro foi apreendido pela PM. O caso foi registrado por volta das 22h30. A arma calibre ponto 40 do PM também foi apreendida.
Versão contraditória e prisão
Ao tomar conhecimento sobre a ocorrência, uma equipe da Polícia Civil se dirigiu até o PSC, onde o condutor e a adolescente contaram ter visto, pelo retrovisor do carro, o policial miliar empenhando a arma e realizando os disparos com objetivo de parar o veículo no momento em que fugiam da porta da empresa.
A mesma versão também foi colhida, posteriormente, junto ao jovem de 18 anos.
Filmagens de câmeras de segurança da empresa em questão foram entregues à Polícia Civil (confira o vídeo logo abaixo). As investigações apontam que tais imagens contradizem a versão do PM, já que não teria ocorrido queda da moto.
Ao saber por meio do médico que a lesão de ambos os feridos era de natureza grave e que eles necessitariam de cirurgia - a adolescente para reconstrução de um dos dedos da mão e o rapaz para retirada do projétil da nádega e em virtude de uma fratura na bacia -, o delegado Luiz Claudio Massa arbitrou a prisão em flagrante do policial militar.
“A versão do policial foi contraditória ao vídeo. Não foi tiro acidental. O policial agiu de forma precipitada, poderia continuado no acompanhamento, até porque não era um veículo que tinha vestígios de roubo, por exemplo”, afirma Massa.
Segundo ele, não foi possível arbitrar fiança no caso pelo fato de a lesão corporal grave prever pena de 1 a 5 anos de prisão. “Só o juiz pode atuar nesses casos”, completa.
O inquérito sobre o caso será conduzido pelo delegado Ismael Cavalieri e deve ser encerrado em até 30 dias. O inquérito da PM deve levar 40 dias, que podem ser prorrogados por mais 20.
“O tiro só pode ser dado em revide ou legítima defesa. Há uma determinação da Secretaria de Segurança Pública de que não se pode atirar para parar um veículo”, completou o delegado Ismael.
Já rapaz de 22 responderá por dirigir sem habilitação e acima do limite de velocidade permitido.
‘Bom profissional’
Detido na CPJ, o soldado foi entregue ao Comando da PM de Bauru e obteve alvará para responder em liberdade.
Em nota, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) considerou que o soldado em questão é um bom profissional e nunca teve qualquer problema. “Em sua última ocorrência de destaque, inclusive, ele atuou no salvamento de um bebê engasgado. É um bom profissional”, ressaltou o major Costa Duarte, coordenador operacional do Batalhão.
Veja o vídeo: