08 de julho de 2026
Geral

Corpo saudável começa pela boca

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr./JC Imagens
Alba Negrisoli Ribas, presidente da APCD, destaca a importância da prevenção precoce
Éder Azevedo/JC Imagens
O dentista Carlos Eduardo Francischone Júnior explica o papel das novas tecnologias

A expressão “a saúde começa pela boca” nunca fez tanto sentido. E não é apenas pela boa alimentação, que deve estar também incorporada ao dia a dia, mas pelos cuidados bucais. Nos últimos anos, a ciência tem avançado nas pesquisas que comprovam a relação entre doenças na boca e distúrbios em outras partes do corpo, exigindo ainda mais atenção das pessoas, com consultas periódicas – a cada seis meses, em média – ao dentista.

Professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), Roosevelt Bastos destaca que o corpo humano é todo interligado e, por isso, prevenir problemas bucais é tão importante quanto os de outras partes do organismo.

“Há uma relação importante entre a saúde da boca e do resto do corpo, que não é algo dividido em compartimentos. Doenças como diabetes e hipertensão podem ter algum agravamento com doenças bucais, e outros organismos típicos da boca já foram encontrados nas coronárias. A boca é a porta de entrada para muitas doenças, que migram para outra parte do corpo pela corrente sanguínea”, resume Bastos.

De acordo com o professor da FOB, a periodicidade de visitas ao dentista varia conforme o estado da saúde bucal, mas o padrão médio é de seis meses. “A recomendação tradicional, de fazer uma consulta a cada seis meses, segue valendo. Mas o dentista avalia a situação de cada paciente, e, às vezes, esse prazo pode ser maior, de até um ano, ou mais curto”, frisa.

Desde cedo

A presidente da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), Alba Maria Negrisoli Ribas, chama a atenção para um aspecto importante: o cuidado com os dentes desde o início da infância. “O ideal é esse acompanhamento começar ainda no final da gravidez e nos primeiros meses de vida, porque eventuais problemas nessa idade podem ter reflexos mais tarde”, avalia.

Alba aponta ainda outro aspecto: o dente de leite pode ser útil até para a obtenção de células-tronco, com novas pesquisas surgindo neste sentido. Problemas nos dentes afetam também a autoestima. “Interfere em vários aspectos, na vida pessoal e profissional”, resume Alba, que entre outras especialidades, é odontopediatra.

Novas tecnologias

Impossível negar que a saúde passa pela autoestima. O dentista e professor universitário Carlos Eduardo Francischone Júnior revela que a busca por tratamentos estéticos cresceu nos últimos anos. “Os pacientes têm se preocupado muito em ter uma boa mastigação, mas também um bom sorriso, o que melhora a própria autoestima. E hoje com a expectativa de vida na casa dos 80 anos de idade, pessoas das mais variadas faixas etárias procuram esses tratamentos”, aponta.

E as novas tecnologias são aliadas ao tratamento. “Atualmente, por exemplo, há um aparelho que funciona como um ‘scanner’ da boca, sem a necessidade do paciente ter que fazer um molde. O aparelho capta as imagens com uma pequena câmera, e o dentista vê direto na tela do computador. As agulhas de anestesia também evoluíram, hoje tem a espessura de um fio de cabelo”, cita, entre outras melhorias tecnológicas.