| Malavolta Jr./JC Imagens |
| Fernando Monti afirma que não há necessidade para pânico e descarta uma epidemia |
O resultado de uma pesquisa feita pelo Sistema Sentinela, uma rede de vigilância de síndrome gripal espalhada pelos quatro cantos do País, aponta que 10% dos casos analisados nos últimos seis meses, em Bauru, são de Influenza A e B, ou seja, das gripes consideradas mais graves. Inclusive, o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, voltou a descartar a possibilidade de epidemia da doença na cidade.
O tema veio à tona depois que o diretor da Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirmou que o H1N1, um dos tipos do vírus Influenza A, é o responsável por metade dos casos de gripe registrados em todo o País. A constatação partiu de análises de amostras de todos os pacientes com suspeita de infecções respiratórias, que foram enviadas para os laboratórios públicos.
Em Bauru, a situação não está alarmante a tal ponto. É o que afirma o secretário Fernando Monti. Ele explica que o H1N1 circula pela cidade, como no restante do País, “porque não somos uma ilha”. Contudo, reforça que não há motivo para pânico e descarta, portanto, a possibilidade de epidemia. Tanto que, em 2014 inteiro, o Sistema Sentinela só detectou casos de Influenza B.
Já em janeiro deste ano, o sistema não detectou sequer um caso de Influenza A ou B. Porém, no mês seguinte, das 20 amostras analisadas, duas deram positivo para o H1N1, mas não foram notificadas, porque os pacientes não apresentaram Síndrome Respiratória Aguda Grave. Em Bauru, só uma pessoa teve esse quadro clínico neste ano e o registro, de fato, foi feito. “Apenas os casos graves de H1N1 são passíveis de notificação”, ratifica Monti.
Agressividade
O secretário Fernando Monti defende, ainda, que o País passou a demonstrar preocupação diante da gripe com a detecção do vírus H1N1, que é um pouco mais agressivo que os demais. “Todavia, já tínhamos registros de óbitos por Influenza B antes de descobrirmos o H1N1. O vírus B também pode levar à morte, mas em menor proporção que o H1N1, cuja letalidade ainda é pequena”, argumenta.
Monti volta a defender que a cidade está protegida por uma espécie de cinturão, já que boa parte da população tem se vacinado contra o H1N1 desde sua detecção, em 2009. Mesmo assim, o secretário acredita que o Ministério da Saúde venha a discutir a necessidade de ampliar o público-alvo das campanhas de vacinação. Neste ano, a iniciativa terá início no próximo dia 30 em todo o País, incluindo Bauru, e o objetivo é imunizar 80% desse grupo.
Sentinela
O Sistema Sentinela foi criado desde que o H1N1 foi detectado, em 2009. Funciona como uma rede, espalhada por todo o País, com o intuito de detectar os tipos de vírus gripais que estão circulando em determinado local. O secretário Fernando Monti explica que o vírus é mutável, por isso a necessidade de acompanhar sua circulação periodicamente. Ele acrescenta que, em Bauru, são analisados 20 casos aleatórios de síndrome gripal ao mês.
Cidade já registra variação da Gripe A
Em março deste ano, o Sistema Sentinela detectou um caso positivo de H3N2 em meio às 20 amostras coletadas no mês, ou seja, há outra variação do vírus Influenza A circulando pela cidade. Segundo o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, o vírus A possui 18 tipos de H e 11 de N, que estão suscetíveis a realizar inúmeras combinações entre si. Em Bauru, portanto, há dois arranjos circulando: H1N1 e H3N2.
Inclusive, a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza imunizará o público-alvo contra esse dois tipos de vírus, além do Influenza B, entre os dias 30 de abril e 20 de maio. As doses da vacina estarão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já o público-alvo da iniciativa é: idosos, indígenas, pessoas com doenças crônicas, profissionais da saúde, mulheres que tiveram filho nos últimos 45 dias e crianças entre 6 meses e 5 anos de idade.
Os detentos e os funcionários do sistema prisional também serão vacinados, já que, conforme o JC noticiou, o temor diante do vírus H1N1 levou ao isolamento de alguns presos do Centro de Detenção Provisória (CDP).
Além disso, as UBS já estão cadastrando as pessoas acamadas, pertencentes ao público-alvo da campanha, para vacinação em domicílio, até o dia 25 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30.