| Quioshi Goto |
| Professor Demerval Moreira explica que atualização permite mais acurácia na previsão do tempo e estudos climáticos |
Para os meteorologistas preverem diariamente o tempo, eles utilizam alguns modelos operacionais. Um deles é o Brams - sigla em inglês para Desenvolvimento Brasileiro sobre o Sistema Brasileiro Regional de Modelagem Atmosférica (https://brams.cptec.inpe.br). O software pode prever se irá chover, fazer calor ou frio. Agora, o Brams foi atualizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e sua nova versão permite mais acurácia na previsão de tempo e nos estudos climáticos.
Entre os pesquisadores que desenvolveram a nova versão do programa, está o professor Demerval Moreira, do Departamento de Física da Unesp de Bauru. Segundo ele, “o Brams passou a ser uma poderosa ferramenta para diversas pesquisas futuras na área de modelagem atmosférica”. O novo modelo faz previsões simultâneas de tempo e qualidade do ar para a América do Sul.
O professor conta que sua contribuição para o projeto Brams foi por meio do ajuste do modelo de superfície Jules (que, atualmente, é considerado o nível mais alto em modelagem de superfície) para a região da América do Sul e o acoplamento deste ao modelo Brams. “Desta forma, foi possível tornar o modelo atmosférico mais eficiente, mais moderno e com novas funcionalidades”, comenta.
Até plantas
Segundo Dermeval, o modelo original do Brams não contempla uma infinidade de processos que ocorrem em superfície e que, atualmente, já são bem representados em sistemas mais modernos. Por exemplo, não trabalha com a fotossíntese e respiração das plantas. Esses processos importantes que estão relacionados à quantidade de água que a vegetação fornece de volta para a atmosfera (transpiração); ao controle da temperatura da superfície; à emissão ou absorção do dióxido de carbono da atmosfera; entre vários outros efeitos.
“Mesmo os processos que o modelo original do Brams resolvem, como o fluxo de calor sensível, pode-se dizer que já não resolve tão bem quanto os modelos de superfície modernos. As formulações foram desenvolvidas em uma época em que o poder computacional era muito inferior ao atual, logo os artifícios de truncamento das expressões matemáticas, para acelerar o código, eram muito mais necessários do que hoje”, explica.
Ao longo do trabalho, o professor introduziu no Brams o modelo de superfície Jules, que, embora seja um modelo desenvolvido no Reino Unido, possui inúmeros parâmetros que podem ser ajustados para representar melhor a região de interesse. “Durante o meu doutorado, eu fiz inúmeros ajustes no Jules como forma de fazer uma melhor representação dos processos que ocorrem na América do Sul”, diz.
“Atualmente, a modelagem numérica é a principal ferramenta do meteorologista previsor. Então, uma melhor previsão numérica implica diretamente numa melhor previsão de tempo e clima, divulgada para a população, Defesa Civil, agricultores, entre outros”, finaliza.