| Adriano Machado/Reuters |
| Dilma voltou a dizer que não renuncia e nem perderá o controle |
Com receio de que novas denúncias influam na votação do impeachment, a presidente Dilma Rousseff mobilizou o governo federal nessa quinta-feira (7) para reagir à divulgação de delação premiada que indica que a campanha de 2014 foi financiada com propina da Petrobras. Em tom duro, a presidente e o tesoureiro da candidatura petista, ministro Edinho Silva (Comunicação Social), chamaram de “peça de ficção” o depoimento do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, e disseram que ele cria um “ambiente propício ao golpe”.
Para evitar novas divulgações, a presidente também acionou o Ministério da Justiça para que tome medidas judiciais cabíveis contra o que chamou de “vazamentos oportunistas e seletivos”. Com o diagnóstico de que conta com votos suficientes para barrar o processo na Câmara, o Planalto teme que novas acusações possam impactar na decisão de parlamentares em dúvida e até modificar posicionamentos.
Em evento de entidades femininas, Dilma disse que o trecho da delação premiada é vazamento “premeditado" e “direcionado”. “A nossa Constituição garante a privacidade e proíbe vazamentos que hoje são premeditados e direcionados, com claro objetivo de criar ambiente propício ao golpe.”
Em linha semelhante, Edinho Silva disse em entrevista à imprensa que o teor do que veio a público “não tem lastro na verdade” e que a divulgação “tenta agravar a situação política”. “Nos estranha muito que uma delação seletiva seja vazada num momento em que a Câmara está às vésperas de uma decisão importante de um pedido que no nosso entender se caracteriza por um golpe.”
Segundo o TSE, a campanha petista e a direção receberam R$ 34,6 milhões da Andrade Gutierrez. Deste valor, R$ 21 milhões foram para a candidatura de Dilma, sendo R$ 20 milhões diretamente e R$ 1 milhão via Diretório Nacional.
Já o Diretório Nacional do PSDB recebeu R$ 25,9 milhões da Andrade Gutierrez, sendo R$ 19 milhões para o comitê da campanha de Aécio Neves. Este repassou R$ 10,2 milhões para o candidato. Com mais R$ 2,5 milhões enviados pelo diretório, a candidatura tucana recebeu R$ 12,7 milhões.
A presidente voltou a dizer que não renunciará e frisou que não perdeu ou perderá o controle. “Não perco o controle, não perco o eixo, não perco a esperança. Porque sou mulher e me acostumei a lutar por mim e pelos que amo.” Dilma defendeu um pacto nacional que envolva uma “urgente reforma política”. “Nenhum pacto ou entendimento prospera se não tiver como premissa o respeito pela legalidade e pela democracia.”