10 de julho de 2026
Regional

Com medo do H1N1, igreja suspende mãos dadas no Pai Nosso

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Reprodução/Internet
A Diocese de Bauru determinou que a entrega da hóstia seja feita apenas nas mãos dos fiéis

Em razão do aumento no número de casos suspeitos e confirmados de H1N1 na região, a Diocese de Bauru determinou a suspensão temporária do ato de dar as mãos durante a oração do Pai Nosso, do abraço da paz e da distribuição de hóstia na boca dos fiéis durante as celebrações nas suas 41 paróquias.

O comunicado, assinado pelo bispo diocesano, dom Caetano Ferrari, será lido em todas as celebrações para informar os fiéis. No total, 26 paróquias de Bauru e outras 15 da região deverão seguir as orientações.

O padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana, vigário geral da Diocese, explica que, além de recomendar que a oração do Pai Nosso seja feita individualmente, a entidade suspendeu o tradicional abraço da paz entre fiéis. Já a Sagrada Comunhão, de acordo com ele, deverá se restringir à espécie de pão na mão.

“Geralmente, pode-se também dar comunhão na chamada duas espécies, quando o ministro pega a hóstia, coloca dentro do cálice com vinho, que nós cremos que já é o sangue de Cristo, e coloca na boca do fiel”, explica. “O dom Caetano está determinando que essa prática, momentaneamente, seja suspensa”.

As medidas, segundo o padre, visam dificultar a eventual transmissão do vírus H1N1 durante as celebrações. “É apenas uma medida preventiva, de precaução, porque há uma aglomeração de pessoas, aos finais de semana principalmente, nos sábados e domingos”, revela. “É um cuidado para evitar-se o H1N1”.

Na opinião de Fontana, apesar de envolver ritos tradicionais nas celebrações, a suspensão, de maneira geral, é bem aceita pela população. “Nós estamos em uma situação emergencial. Quando a gente explica algo que é para cuidar da própria saúde, eu acho que as pessoas têm facilidade de compreender”, avalia.

Ele cita, inclusive, trecho bíblico onde Jesus diz que veio para que todos tenham vida plenamente. “Todo o cuidado com a vida, em todo e qualquer aspecto, a igreja tem o dever de estar ali defendendo”, afirma. “O bispo não está fazendo nada mais do que ir de encontro com as orientações médicas”.

Cuidados
Em recente entrevista coletiva, o médico infectologista e vice-chefe do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem da Faculdade de Medicina de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza, explicou que, para evitar a contaminação pelo vírus H1N1, as pessoas devem evitar locais com grande aglomeração, deixar ambientes arejados, incluir o álcool em gel no cotidiano e usar lenço descartável para espirrar ou tossir.