Não é preciso andar muito para se deparar com ruas de terra cobertas por “graminha” (definição para vários tipos de grama) em Bauru. Descaso do poder público? Nem sempre. Na maioria das vezes, a própria população impede a passagem de máquina roçadeira na via para evitar a abertura de erosões, destaca o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues.
Ele explica que a graminha protege o solo porque diminui a velocidade da água da chuva. “É como se fosse um boné em nossa cabeça”, exemplifica. “Se a chuva atinge local sem a grama, a enxurrada empurra os grãos de areia de um lado para o outro, formando sulcos”.
Quando há vegetação na rua, a água da chuva empoça em determinado local e abastece o lençol freático, explica o secretário. “Por isso, não ocorre a erosão e, quando ocorre, é com menor intensidade”, diz Rodrigues. Ele afirma que a graminha retarda em até 80% o processo erosivo. “Conforme a declividade da via, protela em até 90%”, destaca.
Questionado sobre o número de ruas com graminha em Bauru, Rodrigues aponta que a pasta não possui estatística, mas garante que são vários pontos da cidade em que os moradores impedem a intervenção do poder público. É o caso da aposentada Clarice Ricardo Rocha, 51 anos, que reside na quadra 5 da rua Doutor Hércules Mastreli, no Jardim Solange.
Na rua da casa dela, apesar de ser de terra, só há alguns trechos com pequenos desníveis, porém, sem erosões. “Está assim porque a grama protege e não deixamos a prefeitura passar a máquina”, confirmou.
Uma quadra à frente, o topógrafo aposentado Sérgio Ricardo Rocha, 51 anos, também defende que seja mantida a vegetação nas vias de terra. “Enquanto o asfalto não chega, é o único jeito de manter as ruas em boas condições”, observa.
Economia e manutenção
Por outro lado, se não houver manutenção da área, a graminha se transforma em mato e passa a oferece riscos à saúde dos moradores. Rodrigues pondera, entretanto, que os próprios moradores cuidam para que isso não acontece.
Tanto Clarice quanto seu vizinho Sérgio confirmaram a informação. “A gente se une para não deixar o mato crescer acima da média”, disse a aposentada.
Sidnei Rodrigues ainda destaca a economia do poder público. “Em ruas mais complicadas, onde ainda não há sistema de galeria, são necessárias 40 viagens com caminhão de terra para conter erosões em uma única quadra. O custo com o transporte é de R$ 3.500,00”, enumera.