08 de julho de 2026
Geral

Com ou sem crise, o humor prevalece

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
Psicóloga Ivana Priscila Rocha destaca que na crise as pessoas devem refletir sobre suas atitudes

É possível manter o bom humor em momentos de crise? E não apenas o humor no sentido da alegria, mas do próprio estado de espírito? Para muita gente, isso não só é possível como é uma das saídas para encarar situações adversas. Apesar disso, muitas pessoas sentem de forma mais intensa crises como a que o Brasil vive atualmente.

A psicóloga Ivana Priscila Maia da Rocha confirma que houve um aumento pela procura dos serviços de profissionais da área nesta fase de dificuldade política e econômica do País. “As pessoas também buscam ajuda terapêutica individual, pois a crise gera mau humor, ansiedade e até conflitos internos e familiar. A terapia significa ‘tratamento’ e não há momento certo para iniciar, sempre é hora seja para acompanhar na prevenção de ações, ou pelo próprio autoconhecimento e até mesmo resolução de suas queixas. A terapia vem para ajudar a resolver questões que você não consegue resolver sozinho”, destaca Ivana.

Ela lembra ainda que o ambiente externo pode influenciar diretamente no humor. “De acordo com atual situação o humor das pessoas é afetado pela insegurança econômica atual do país. O humor é a fonte do prazer. Em alguns casos perante a crise a pessoa ou algum ente do ambiente familiar, está sofrendo por causa do baixo rendimento salarial ou até com o desemprego. O que podemos notar é que esta perda de rendimento familiar afeta sim o humor das pessoas, pois com diminuição do rendimento são excluídos os extras (lazer) mantendo apenas o essencial para a ‘sobrevivência’ (do trabalho ou a busca por ele, para a casa)”, acrescenta. “Ainda tem a ansiedade do futuro incerto dentro da empresa, perante a economia atual, se os ‘cortes’ vão continuar se será o próximo ou ate mesmo se a empresa se manterá diante da crise”, menciona.

Apesar do momento conturbado, Ivana reitera que as crises têm um prazo de duração. “A crise como definição são dificuldades momentâneas (longas ou breves), não é o natural da vida, onde temos que perceber e refletir em ações diferentes do hábito”, pontua.

Nas empresas
Além das reflexões pessoais que o momento de crise gera, quando o problema envolve toda a sociedade o clima é propício para avaliações de condutas coletivas, como nas empresas e corporações de uma forma geral. “No atual cenário do Brasil, que é desafiador, as organizações têm que criar estímulos para que os colaboradores estejam empenhados, com os objetivos da empresa. E assim podem elevar o nível de participação e comprometimento e o desempenho de cada profissional para que alcance os melhores resultados. Pois a empresa precisa que haja um clima organizacional positivo, capaz à criatividade, à flexibilidade, com comprometimento, boa interação dentre a equipe. Novos comportamentos podem gerar novos negócios e assim novas oportunidades de crescimento e consequentemente, melhorias no cenário da organização, com possibilidades de contratação e aumento salarial”, conclui Ivana.


Gente de bom humor

O JC ouviu três pessoas que são conhecidas em Bauru por manterem o astral em alta, independente das adversidades do dia a dia: o carismático massagista João ‘Fumaça’ (do Noroeste), o médico pediatra Helder Ferreira, e o palhaço Faísca. Todos eles garantem que estão atentos ao momento do País e que também enfrentam problemas diariamente em suas vidas particulares, mas que isso não impede que o bom humor prevaleça.

“Olha, vou ser sincero, se a gente ‘encucar’ com os problemas, vai ficar para baixo. A gente vê as notícias que saem na televisão, na mídia em geral, mas nós aqui não temos poder de resolver os problemas. Então temos que fazer as nossas atividades do dia a dia, trabalhar, e principalmente saber respeitar as outras pessoas, saber ouvir e ter educação, conversar. No Noroeste procuro trabalhar sempre com bom humor, e os meninos (jogadores da base) gostam, até comentam que isso ajuda na recuperação quando estão tratando alguma lesão”

João Batista Silveira, o Fumaça, 71 anos, massagista das categorias de base do Esporte Clube Noroeste


“Cada um tem que fazer a sua parte e procurar manter a alegria no dia a dia. Evitar sentimentos de ódio, raiva, rancor. Nosso País vive um momento difícil, então o brasileiro precisa resgatar esse espírito alegre, descontraído, claro que sem deixar de se atentar aos problemas que estão acontecendo, mas ao mesmo tempo as pessoas não podem perder amizades por conta de discussões políticas. O brasileiro sempre foi um povo alegre, que brinca de forma sadia, e isso deve ser resgatado. A vida tem que seguir, as pessoas gostam de contar piada, causos, fazer um churrasco, e isso não pode se perder”

Helder Rodrigues Ferreira, médico pediatra do Hospital da Unimed-Bauru


“Acho que as pessoas estão mais sensíveis com toda essa situação do Brasil, estão até mais carentes. Isso deixa as pessoas mais agressivas, revoltadas, mexe muito com o humor. Eu sou uma pessoa que mantenho uma seriedade no dia a dia, mas sem deixar de ter um bom humor também. E quando estou no papel de Faísca, aí deixo a alegria tomar conta, até porque é isso que as pessoas esperam. Não deixo de acompanhar o momento do País, mas não posso me deixar influenciar, a alegria é a mesma ao longo desses últimos 25 anos”

Alexsander Rodrigues de Oliveira Soares, ‘Palhaço Faísca’

FALA POVO

Como manter o bom humor diante da crise?

“Eu gosto de ver as notícias, mas não pode se deixar influenciar. Tem que sempre seguir em frente e pensar em coisa boas. Eu tenho o comércio e vejo que a crise existe, mas não pode desanimar, estou sempre sorrindo com os clientes”

Lúcia Lemes, 63 anos, comerciante

“Tudo o que está acontecendo afeta o humor. Mesmo assim procuro não pensar nisso toda hora, porque se focar só nisso a gente não consegue ser feliz. Saio com os amigos, fico com a família, faço atividades que motivam”

Washington Vitor Amaro, 17 anos, serviços gerais

“Tem que sair com os amigos, conversar, enfim procurar fazer outras atividades que não foquem em coisas negativas”

Mayara Muniz de Oliveira, 20 anos, operadora de caixa