09 de julho de 2026
Geral

Bebê em Bauru, filho de mãe com zika vírus, é avaliado se tem microcefalia

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

minhavida.com.br
2ª mãe com zika: bebê nasce e Saúde investiga se criança tem microcefalia

Foi divulgado nessa segunda-feira (11) o segundo caso autóctone de zika vírus em Bauru. Trata-se de uma mulher, que teve os sintomas na 27.ª semana de gestação, em fevereiro. Ela é moradora do Bairro Pousada da Esperança, o mesmo onde foi registrado o primeiro caso de zika, no final de janeiro. A paciente, cujo nome e idade não foram revelados, apresentou coceira (prurido), vermelhidão na pele e dor de cabeça.

Coincidentemente, ela deu à luz também ontem pela manhã, na Maternidade Santa Isabel, hospital de referência para partos na região de Bauru. O bebê, um menino, nasceu, a princípio, com boa saúde, mas, por conta da infecção da mãe pelo zika na gravidez, o recém-nascido foi submetido a exames para saber se houve alguma complicação. “O fato da mãe ter tido zika já na 27.ª semana de gestação reduz a possibilidade de sequelas. Contudo o bebê está em observação, com o acompanhamento de um neuropediatra”, detalha o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.

Ainda de acordo com o titular da Saúde, a criança nasceu com perímetro cefálico dentro da normalidade, mas “no limite” mínimo para microcefalia – segundo o Ministério da Saúde, a medida-padrão mínima é de 32 centímetros. “O bebê está no limite inferior, mas ainda dentro do que é considerado o padrão normal. Não é possível falar em anormalidade neste caso, mesmo assim todos os exames estão sendo realizados para saber se houve algum problema”, enfatiza. A prefeitura garantiu que mãe e bebê terão acompanhamento da Secretaria de Saúde, o que já foi feito ao longo da gravidez.

A reportagem entrou em contato com a família do recém-nascido, que preferiu não gravar entrevista. Uma das familiares confirmou o bom estado de saúde do bebê e da mãe. Ela complementou que todos aguardam com expectativa o resultado dos exames, confiantes de que nenhum problema será constatado.

1.º caso

O primeiro caso de zika vírus na cidade foi confirmado no final de janeiro, também em uma gestante moradora do Pousada da Esperança e que trabalha no Higienópolis. Os dois bairros receberam, na época, ação intensiva de combate ao Aedes aegypti. Desta desta vez, contudo, a Secretaria de Saúde não prevê nenhuma ação específica, mantendo o trabalho diário de visitas aos imóveis, e mutirões aos sábados, em diferentes pontos da cidade.

A mulher que teve o primeiro caso diagnosticado ainda não deu à luz. Até o momento, nenhuma anormalidade foi detectada na evolução da gestação, afirma o secretário Fernando Monti.

E a Dengue?

Em relação à dengue, são 666 registros somente neste ano em Bauru, sendo 637 casos autóctones (contraídos na cidade) e 29 importados, com um óbito. Em 2015, a cidade viveu a pior epidemia de dengue da história, com mais de 8 mil casos. “A dengue aparenta realmente estar com mais circulação do que o zika vírus. O vetor [da dengue] existe em todas as regiões da cidade, tanto que os casos de dengue não estão concentrados em nenhum bairro, estão diluídos por todas as regiões”, cita Monti.

Já a febre chikungunya, também transmitida pelo Aedes, teve até o momento um caso importado.

Mutirão

Na tentativa de controlar a infestação do Aedes aegypti, mosquito que transmite tanto a zika, quanto a dengue e a chikungunya, a prefeitura tem feito mutirões aos sábados em pontos específicos da cidade, além das visitas domiciliares de rotina, realizadas de segunda a sexta.

No último sábado (9), a região escolhida foi a da Vila Dutra, Vila Industrial e Parque Real. Foram 1.733 imóveis vistoriados, onde os agentes de endemias encontraram criadouros de larvas do mosquito em 37 deles. Outros 962 imóveis estavam fechados.

15 mil imóveis

Desde fevereiro, os mutirões aos sábados percorreram bairros como Jardim Redentor, Vila Cardia, Jardim Bela Vista e Pousada da Esperança, totalizando até o momento 15 mil imóveis visitados.