| Douglas Reis |
| Na quadra 1 da rua Santa Matilde, Jardim Redentor, mais um sofá está abandonado na calçada |
| Sofá na quadra 4 da rua Américo Bertoni, na região do Bela Vista |
Em Bauru, o número de sofás abandonados em via pública daria para abastecer estoque de qualquer loja de móveis usados. Nem foi preciso andar muito para se deparar com a situação de abandono: em apenas três bairros percorridos pela reportagem nessa terça-feira (12) de manhã, havia quatro descartes em calçadas, feitos há pelo menos 20 dias, segundo moradores.
O desmazelo de parte da população converge com a falta de estrutura municipal, uma vez que o caminhão Cata Treco da Secretária de Meio Ambiente (Semma), destinado para recolher materiais deixados nas calçadas, atende demanda de outra pasta e deve ser devolvido na semana que vem.
Enquanto isso, os sofás permanecem abandonadas, deixando o ambiente propício para propagação do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus) e animais peçonhentos, como ocorreu nesta segunda-feira com a dona de casa Eliana Moreira Rocha, 50 anos. “Apareceu um escorpião embaixo da minha cama”, relatou.
Eliana não tem dúvidas de que a aparição do aracnídeo tem relação com sofá abandonado em calçada na frente da casa dela, na quadra 1 da rua Santa Matilde, Jardim Redentor. “Moro aqui há dois meses, mas o problema ocorreu depois que deixaram o sofá ali, há cerca de 20 dias. É um mau exemplo da população, mas não deixa de ser descaso do poder público”, critica.
| Douglas Reis |
| A dona de casa Eliana Moreira Rocha, 50 anos, critica sofá depositado no Redentor: “Apareceu um escorpião embaixo da minha cama” |
Situação semelhante é vivida pelo auxiliar de escritório Carlos Augusto Gameiro Colleta, 20 anos. Como se não bastasse o sofá, a calçada a poucos metros de sua casa, na quadra 9 da rua Voluntários da Pátria, no Higienópolis, está tomada de mato. Para passar por ali, é preciso “cortar volta”. “A gente é obrigado a andar pela rua”, observa Colleta.
50 metros, dois sofás
Na região do Bela Vista, a distância que separa dois sofás jogados em via pública é de cerca de 50 metros. Assim como nos demais bairros, os moradores “sentam e esperam” por soluções. “Faz um tempão que ele foi deixado ali”, garante a aposentada Maria Lopes, 73 anos, enquanto aponta para o móvel na calçada na quadra 4 da rua Américo Bertoni.
O objeto permanece em frente a uma casa abandonada, onde o passeio público está parcialmente coberto por mato. Situação semelhante ocorre bem próximo do local, na quadra 4 da rua João Lopes Toledo, onde um sofá foi deixado em frente a um terreno baldio.
Caminhão emprestado
Em nota, a Semma informa que o projeto Cata Treco será retomado nos próximos dias, uma vez que o caminhão que seria usado para recolher materiais que acumulam água foi emprestado à Secretaria de Obras para auxiliar na recuperação da cidade após as chuvas do início deste ano. Ainda de acordo com a pasta, os líderes em denúncias são os sofás e armário, “que são depositados irregularmente em passeio público ou áreas públicas”.