| Aceituno Jr. |
| As três turmas do noturno da Walter Barreto Melchert estão prontas para exercitar a cidadania |
Marco Antonio Lucio, 17 anos, votará pela primeira vez nas eleições municipais de 2016. Só que ele já vai “treinar” o exercício da cidadania junto a outros mais de 35 mil alunos da rede estadual de ensino em Bauru, que vão às urnas entre esta quarta (13) e quinta-feira (14) para escolher as diretorias dos grêmios estudantis de 82 escolas instaladas na cidade.
Por iniciativa da Secretaria de Educação do governo paulista, pela primeira vez, a votação será unificada em todas as regiões do Estado. O objetivo da mudança é garantir que a totalidade das unidades conte com uma organização escolhida democraticamente para promover o diálogo entre os jovens e as equipes gestoras. Ao todo, serão 3,7 milhões de alunos participando dos processos em 5 mil escolas, das quais 3.472 já possuem grêmio instalados. Em Bauru, elas são 78.
Uma delas é a Professor Walter Barretto Melchert, do Octávio Rasi. É lá que Marco Antonio Lucio estuda no terceiro ano do ensino médio, já tendo, inclusive, atuado na diretoria da organização estudantil quando cursava a oitava série do fundamental. “Na época, dentro do possível, promovemos algumas iniciativas legais, como uma campanha do agasalho com o intuito de ajudar alguns colegas que precisavam”. Para escolher em qual das duas chapas inscritas vai votar na eleição, Marco tem prestado atenção se as propostas apresentadas vão ao encontro das que entende como importantes, como o uso da sala de vídeo da escola em horários alternativos aos das aulas. “A escola é o nosso Brasil”, compara.
Gabriel Fernandes Andrade, 16 anos, também acompanha com atenção a campanha eleitoral do grêmio estudantil da Walter Barreto Melchert. “O debate está se aprofundando agora. Temos que levar isso a sério porque os escolhidos serão nossos porta-vozes dentro da escola e podem fazer muito por nós. Acho que seria muito positiva a montagem de turmas para os interessados em prestar o Enem e outros vestibulares, nem que as reuniões acontecessem nos finais de semana, para resolvermos questões, trocarmos ideias. Um que é bom em matemática pode ajudar o outro que é bom em história, e vice-versa”, acredita.
ENVOLVIMENTO
Assim como nas demais escolas da rede estadual, todo o processo para a eleição do grêmio estudantil da Walter Barreto Melchert foi acompanhado por um professor interlocutor.
“Eles inscreveram as chapas e demos o suporte. Nossa ideia é atuar como parceiros do grêmio, que já participa de todas as atividades. O envolvimento do aluno com a comunidade escolar é o que perseguimos”, conta a vice-diretora da unidade, Giselda Maria Vasques Braga.
As campanhas
Na escola Professor Walter Barreto Melchert, duas chapas disputam a preferência dos mais de 700 alunos matriculados, do primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, já que todos têm direito a voto.
Inspirado na atuação política do pai, que é presidente da associação de moradores do Octávio Rasi, Alessandro Martins Cândido Rosa Júnior, 15 anos, integra a chapa “Revolução Estudantil”. Para ele, o principal problema enfrentado pelos alunos foi o corte de gastos do governo, que reduziu a quantidade de produtos de higiene para a escola. Agora, até papel higiênico os estudantes precisam trazer de casa. “Queremos arrecadar dinheiro para comprar esses materiais”.
Já para Mayra Gabriela da Silva Santos, 16, integrante da chapa “Invictos”, o grêmio precisa atuar para valorizar os talentos da escola, seja na literatura, nas artes ou nos esportes. “A escola se preocupa com os que se comportam mal e aqueles que têm habilidades especiais ficam esquecidas”. Mesmo fora da atual diretoria, ela relata que participa de ações propostas pelo grêmio estudantil, como as atividades dirigidas no recreio das crianças menores. “Participei de duas eleições e perdemos. Estava desmotivada a tentar dessa vez, mas fui convencida”, conta.