10 de julho de 2026
Bairros

Família vive sem água há 4 meses

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Fabiana, com o filho Alessandro, de 1 ano, no colo; família precisa ir buscar água usando carriola

Há quatro meses, família na Vila Dutra vive sem nenhuma gota d’água nas torneiras. Enfrentar o calor escaldante que tem castigado os bauruenses neste ano tem sido um desafio diário. “É terrível”, desabafa a dona de casa Fabiana Maria de Souza Machado, 30 anos, que divide o drama com o marido e os sete filhos (de 14, 11, 9, 6, 5, 4 e 1 ano) – um deles com deficiência.

Para manter as mínimas condições de sobrevivência e higiene, a alternativa é percorrer 200 metros empurrando uma carriola, para encher três galões com água (dois de 20 litros e um de 50 litros) na casa da sogra de Fabiana. “Só dessa forma para a gente não morrer de sede e conseguir lavar as roupas, tomar banho”, diz.

A água da residência, localizada na quadra 2 da alameda General Lima de Figueiredo, foi cortada pela Departamento de Água e Esgoto (DAE) no dia 4 de janeiro por causa de fraude no cavalete, o popular “gato”. Fabiana nega que tenha cometido a irregularidade. “Já estava assim quando nos mudamos para cá, mas está difícil de provar”, disse.

Enquanto os moradores “sobrevivem” como podem para conseguir água, bem em frente à casa da família, ironicamente, há um grande vazamento. “Faz tempo que está vazando”, conta Fabiana, alegando que a única renda da família vem do trabalho de servente de pedreiro do marido, insuficiente para quitar multa estipulada pela autarquia, que já soma mais de R$ 2 mil.

Muito humilde, a família precisa de ajuda de conhecidos para lidar com documentos e trâmites referentes às pendências financeiras, por exemplo. Coordenadora da Casa da Sopa, Rose Lopes é quem faz a intervenção junto ao poder público.

Rose e uma assistente social de um posto de saúde da cidade prestam orientações a Fabiana sobre os cuidados com os sete filhos, uma vez que dois deles já foram encaminhados para abrigos, recentemente. “Isso só aconteceu porque a família não teve respaldo específico da Sebes”, aponta Rose.

Ela critica ainda a falta de uma lei municipal que conceda anistia a famílias que vivem em situação de extrema vulnerabilidade, evitando corte de água, por exemplo.

Titular da Sebes, Darlene Tendolo garantiu que toda a família é assistida pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras), recebe benefício da prestação continuada no valor de um salário mínimo, além de kit higiene e alimentação.

“Ontem, enviamos duas assistentes sociais até o local para analisar novamente a situação da família e prestar todo o apoio necessário”, argumentou Darlene.


Serviço
Quem se interessar em ajudar a família com qualquer quantia em dinheiro, água ou alimentos, pode entrar em contato com Rose Lopes pelos telefones: (14) 3238-7702 e (14) 9 9162-6811.


Lacre violado

De acordo com a assessoria de comunicação do DAE, a água na casa da família foi cortada por falta de pagamento, “mas o lacre no cavalete foi violado no dia 16 de dezembro do ano passado, o que gerou multa e novo corte”. O valor total da dívida é de R$ 2.360,00, que pode ser parcelado.

Sobre o vazamento na quadra 2 da alameda General Lima de Figueiredo, o DAE garantiu que faria o conserto até o final da tarde de ontem.