Pelo visto, este não é o ano da construção civil, que apresentou queda após “boom”, em 2008, mas deverá se recuperar a partir de 2017, conforme preveem o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e a Deloitte. Juntas, as entidades realizaram uma pesquisa sobre a situação do setor em dez cidades do Interior de São Paulo, incluindo Bauru. O estudo traçou o perfil de cada município.
É o que explica a diretora da área de estratégia e operação da Delloite, Marie Menezes Rodrigues. Segundo ela, existe uma expectativa de que, a partir de 2017, não só em Bauru, mas em todo o País, a construção civil consiga reverter a recessão. “Claro que esse crescimento será de forma moderada, porém, poderá ganhar força ao longo dos anos seguintes”, reforça.
Já o diretor adjunto da Regional do SindusCon-SP em Bauru, Ângelo Joaquini Neto, prevê que, tanto a cidade quanto o restante do País, atingirão um patamar de recuperação semelhante ao de 2013, mas ainda não chegará aos níveis de 2010 e 2011, quando o Brasil cresceu em demasia. “Uma alta considerável do setor só deverá ocorrer a longo prazo, desde que haja uma boa política econômica, que restabeleça a confiança dos investidores”, defende.
Perfil
Dentro de um cenário de incertezas, o SindusCon-SP e a Deloitte decidiram traçar um perfil da construção civil nas principais cidades do Interior do Estado. O objetivo, segundo Marie Menezes Rodrigues, foi identificar as boas práticas em cada uma delas. Para tanto, participaram da seleção: Bauru, Campinas, Mogi das Cruzes, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba.
“Olhamos como foi o comportamento dessas dez cidades, de 2010 a 2015, tanto em termos demográficos quanto em termos de construção civil”, explica a diretora da Deloitte. Em Bauru, o foco se concentrou em imóveis residenciais para a classe D, que representaram 42% das aquisições mais recentes. Nos últimos dois anos, foram lançados 2.439 imóveis residenciais novos, sendo os apartamentos econômicos, com dois dormitórios, os mais vendidos.
O diretor da Regional do SindusCon-SP em Bauru, Ângelo Joaquini Neto, explica que a cidade possuía uma carência de imóveis para a classe D e as empresas passaram a atuar com mais ênfase nessa área, principalmente, através do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). “Isso deu uma condição maior de produção e venda desses imóveis, porém, mais de 50% das aquisições ainda são das classes A, B e C”, frisa.
No Estado
No estudo, foi feita uma análise para saber a evolução dos municípios e, depois, compará-la com o setor da construção civil. Segundo Marie Menezes Rodrigues, da Deloitte, as dez cidades analisadas apresentaram crescimento médio do PIB nominal, sem descontar a inflação, entre 2010 e 2015. A cidade que apresentou o menor crescimento médio anual foi São José dos Campos, com 3,5%. Já o município com maior crescimento foi Santos (10,1%). Bauru registrou 8,2%.
Outro dado analisado foi a variação de emprego formal no setor da construção civil, comparando dezembro de 2014 com o mesmo mês de 2015. Todas as cidades tiveram retração, mas a pior ocorreu em Sorocaba, com queda de 18,9%. Já o município com menor variação de emprego no setor foi São José do Rio Preto, que teve redução de apenas 2%. Bauru registrou queda de 5,2%.
Varejo e serviços ‘movem’ construção em Bauru
O estudo feito pelo SindusCon-SP (entidade que, em Bauru, tem como diretor Ricardo Aragão) e Deloitte também mostrou que os principais setores da economia bauruense são o varejo e os serviços. Quanto a isso, Ângelo Joaquini Neto reforça que a construção civil, por si só, não é um atrativo na cidade. “Ela acontece em função do varejo e dos serviços. Você tem as universidades, por exemplo, que estão neste último setor e aquecem o mercado da construção”, define.
O diretor adjunto da Regional do SindusCon-SP em Bauru acrescenta, ainda, que a área pode melhorar com o fim da crise econômica e maior agilidade por parte do poder público. “Quando você tem um aquecimento de mercado como um todo, se você tiver agilidade nas aprovações dos projetos e nas ações de trazer indústrias, tais como os incentivos fiscais, pode haver maior produção”, finaliza.